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Fortaleza sediará evento em defesa dos rios

quinta-feira, 26 de outubro 2017

Dia 5 de novembro, um domingo, que marca o Dia Nacional da Cultura, o Movimento Nación Pachamama, que luta pelos direitos da natureza, juntamente com diversos movimentos sociais e juristas do país inteiro, organiza uma mobilização nacional junto aos povos ribeirinhos em defesa dos rios. É a “primeira Pororoca da Nación das Águas – A Melodia dos Rios”, à beira de rios de várias cidades brasileiras.

NAYANA MELO

Em Fortaleza, o evento terá uma série de ações sociais e artísticas, em um dos locais mais bonitos da cidade, a foz do Rio Cocó, na Sabiaguaba, com concentração na barraca Sabiaguaba Park (Barraca do Mamão). O evento, que será das 8 horas às 18h30, tem a parceria na região do Coletivo Bem Viver, entidade cujo objetivo é construir uma nova forma de cidadania, em harmonia com a natureza.

O ponto alto do dia será a Remada pelas Águas, às 15 horas, quando são esperadas mais de 100 pessoas, em barcos, caiaques, stand ups, pranchas de surf e jangadas, que percorrerão um trajeto de cerca de 500 metros pelo Rio Cocó, passando embaixo da ponte da Sabiaguaba, com chegada marcada para as 16 horas.

Limpeza
Mas, a mobilização na cidade começa mais cedo, quando haverá um mutirão de coleta de lixo na foz do rio Cocó, coordenado pelo Coletivo Sabiaguaba Lixo Zero, que, só no primeiro semestre retirou na foz do rio e entorno mais de duas toneladas de lixo. Durante todo o dia haverá uma programação na barraca do Mamão, que fica à beira do Rio, incluindo exposições fotográficas de: pescadores e pescadoras da Sabiaguaba, ações de coletas do lixo, trabalho de educação ambiental em Itaitinga, e rios de diferentes estados e países.

Ainda pela manhã, será formada uma roda de conversa sobre os rios e a vida das populações ribeirinhas. Pela tarde, é a vez do ritual de conexão com o espírito do rio e de agradecimento às águas do planeta. Às 16h30, tem início show com o músico da região Del Brando e seu projeto musical Bando de Amor. O evento encerra com a dança do Toré, pelos índios Tapebas (este povo soma cinco mil indígenas, em 17 comunidades, de Caucaia. O Toré é um ritual sagrado da tribo).

“A ideia da celebração é unir parceiros que defendem as águas do planeta, com o objetivo de chamar atenção para a urgente necessidade de cuidarmos das nossas águas e reconhecer a natureza como sujeito de direito”, explica Puma Aguilar, ativista voluntário do Movimento Nación Pachamama.

Em defesa
A primeira edição tem o objetivo de reunir grupos de interesse e movimentos sociais e chamar a atenção da população em defesa dos rios (bacias hidrográficas) e para articular a legalização de políticas públicas que amparem estes rios como sujeitos de direitos e que os mostrem como centro nutritivo da própria humanidade desde a antiguidade.

A mobilização reúne defensores das águas pelos direitos dos rios Sinos, Amazonas, São Francisco, Doce e Rio Camaquã, além de diversos outros rios de importância local. Já estão confirmadas para a primeira Pororoca da Nação das Águas as cidades de Fortaleza, Manaus (Rio Amazonas), São Leopoldo (Rio dos Sinos), Pelotas, Brasília, Curitiba, Belo Horizonte, Aracaju (Rio São Francisco), Florianópolis e San Marcos Sierras (Córdoba, Argentina). Interessados em juntar-se à causa poderão entrar em contato através do site www.nacionpachamama.com.

Segundo Doraci Guimarães (que no Movimento ganha o nome de Lorena Iriarte), presidente da ONG Pachamama, o evento representa o momento em que o Brasil, país com a maior quantidade de água doce do planeta (cerca de 12%), exerce seu protagonismo diante da grande ameaça que as águas, especialmente os rios sofrem pela ação indiscriminada das nossas práticas de consumo e do atual sistema social e econômico.

Enquanto países como Equador e Bolívia reconhecem nas suas constituições, respectivamente, os direitos da Mãe Terra e o princípio da Harmonia, conta Doraci. “E diversos rios do mundo – a exemplo do Ganges e Yamuna, na Índia – ganham o mesmo status jurídico de um ser humano no que diz respeito ao seu direito à vida, o Brasil completa o aniversário de um dos maiores desastres naturais da nossa história, o assassinato do Rio Doce, em Mariana/MG”.

A ativista finaliza: “a ameaça à existência e equilíbrio dos rios representa a mesma ameaça à nossa existência e ao nosso equilíbrio humano. Em países desenvolvidos, não foram poupados esforços para despoluir os rios que cruzavam suas capitais, como é o exemplo do Tâmisa, na Inglaterra. No Brasil, infelizmente, essas iniciativas são praticamente inexistentes”. Com este evento o Movimento Pachamama quer mostrar que os rios são o centro nutritivo da própria humanidade, desde a antiguidade; e realizar evento à semelhança da Índia que promoveu o Rally dos Rios.

Movimento eco espiritual: o que é Nación Pachamama

Nación Pachamama (www.nacionpachamama.com) – movimento eco espiritual, que surgiu da inspiração dos avós andinos, de homens e mulheres que nunca deixaram de compreender que é preciso valorizar a vida como uma mãe. Atualmente, tem representantes em grande parte do Brasil e também na Argentina, Peru, França, Inglaterra, Espanha, Cabo Verde, Senegal, Índia e Austrália.

Criado em 2012, o movimento dissemina a Consciência Pachamama, um jeito de enxergar a Terra como um organismo vivo. Em tradução livre, mama se refere a uma figura materna sagrada e pacha envolve tempo e espaço, a terra, divino e sagrado, representando um sinônimo de Mãe Terra. Entre as causas abraçadas estão o equilíbrio com a natureza, a aceitação das diferenças, a reincorporação da agricultura familiar, a proteção das sementes e a defesa dos direitos da natureza. Os integrantes atuam com oficinas, seminários, meditações e cursos, e contam com sete comunidades eco espirituais, onde ensinam e aprendem a transitar do individual para o comunitário, em respeito e reverência à Mãe Terra.

Ainda em 2016, o Movimento participou do VII Congresso Internacional, iniciativa da Rede pelo Constitucionalismo Democrático Latino-Americano. Em 2017, esteve em Nova Iorque para mais uma edição do Dialogues on Harmony with Nature, da ONU, e promoveu em junho o VI Encontro Internacional de la Nación Pachamama – Desde Todas las Voces, no Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília.

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