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Mais de 1.400 casos de calazar no primeiro semestre

segunda-feira, 08 de agosto 2016

A leishmaniose, mais conhecida como calazar, é uma zoonose de alta letalidade, que pode atingir tanto humanos quanto animais. Ela é transmitida pelo mosquito palha. Nos últimos três anos, a doença já acometeu mais de seis mil cães e mais de 300 pessoas na Capital. Em Fortaleza, conforme dados do Centro de Controle de Zoonoses, só no primeiro semestre de 2016, já foram registrados 1.461 casos de leishmaniose canina, sendo mais de 240 diagnósticos por mês. Em humanos, 44 pessoas foram infectadas e quatro morreram.

No ano passado, foram 4.871 casos da doença. Naquele mesmo ano, também foram registrados 137 casos em humanos, dos quais 25 pessoas foram a óbito.
Dois municípios com alto índice de calazar, Caucaia e Maracanaú, registraram, nos primeiros seis meses do ano, 112 e 472 casos confirmados de leishmaniose canina. Em entrevista ao Jornal O Estado, a veterinária Marielle Medeiros disse que “2015 foi o ano que teve o maior número de casos de óbitos humanos da última década. Com esses números, o Ceará fica entre os primeiros do Brasil, com alto índices de leishmaniose em humanos”. Já em 2014, foi o mais crítico para os animais, ao registrar 6.736 casos da doença em cães e gatos, sendo 126 em humanos.

Em Fortaleza, os bairros Messejana, Barra do Ceará, Bom Jardim e Jardim Guanabara são os que concentram maior número de casos. A veterinária afirma, inclusive, que a leishmaniose mata mais que a dengue, principalmente porque há muitos casos subnotificados em humanos. “A pessoa não morre da doença propriamente dita, mas sim de infecções secundárias. Como há demora para um diagnóstico preciso, há muitos óbitos por leishmaniose, mas que foram notificadas como sendo por outras causas”, alertou.

Prevenção
Segundo Marielle Medeiros, os números são crescentes e a prevenção é a melhor forma de controlar a doença, uma vez que o tratamento é controverso e cercado de polêmicas entre especialistas, veterinários, tutores e protetores dos animais, já que é recomendada a eutanásia pelo Ministério da Saúde. Ela também ressalta a importância do combate à proliferação do mosquito transmissor. “Fazer a limpeza nos quintais, pois o mosquito palha gosta de lugares ricos de matéria em orgânica. No caso, ele se prolifera em lugares que tem lixo e frutas em decomposição. Portanto, está em todos os lugares”. Outra medida é o uso da coleira repelente com deltametrina a 4% nos animais. “É fácil de encontrar nas lojas veterinárias e é de suma importância para o combate da doença. Ela é altamente segura, pode ser colocada em cadelas amamentando, gestantes, filhotes a partir três meses e é a prova d’água”, explicou. Em relação aos casos humanos, existe tratamento.

Campanha
Começa, hoje, a programação cearense da Semana Nacional de Combate e Controle da Leishmaniose. A intenção é que mais de 1.300 cães recebam as coleiras anti-parasitárias. A iniciativa é uma parceria entre as prefeituras de Caucaia, Fortaleza e Maracanaú, com ONGs de proteção animal e a Avipec Distribuidora de Produtos Veterinários.

Em todas as duas cidades, equipes de mobilização social, agentes de endemias, zoonozes e agentes comunitários de saúde, bem como médicos veterinários vão proferir palestras sobre medidas de prevenção e controle de Leishmaniose, por meio de técnicas de encoleiramento.
Na quarta-feira (10), veterinários, representantes do Centro de Controle de Zoonoses de Fortaleza e alunos do curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Ceará (Uece) estarão, juntos, no Dia D de combate à Leishmaniose na praça da Igreja Nossa Senhora da Saúde, localizada na Avenida da Abolição, 3929, no Mucuripe. Na praça, haverá realização de teste DPP (leishmaniose canina) e vacina antirrábica, gratuitos. Também haverá exposição de maquete, cartazes e banners educativos.

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