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sexta-feira, 3 de abril de 2020.
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Passageiros inspecionados no Aeroporto de Fortaleza

terça-feira, 24 de março 2020

Os passageiros que desembarcam no Aeroporto Internacional Pinto Martins estão passando, desde a noite do último domingo (22), por uma triagem. A chamada Barreira Sanitária foi montada na parte interna da área de desembarque do equipamento, próxima às esteiras de bagagens.
A barreira é formada por alguns agentes da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa). Os passageiros recém-chegados são abordados e têm monitorada a temperatura individualmente com termômetros do tipo laser digital, semelhante à uma pistola, que conseguem aferir a quantidade de calor corporal sem a necessidade de encostar nos envolvidos.
Em caso de febre, ou qualquer outro sintoma gripal ou respiratório, a pessoa deve responder a um questionário, que visa enquadrar, ou não, o indivíduo como caso suspeito do novo coronavírus (Covid-19). A depender do resultado desse questionário, o passageiro é orientado quanto aos procedimentos necessários para manutenção de sua saúde e para evitar o contágio de terceiros.
Chegando do Rio de Janeiro para ficar junto aos familiares, o estudante Nestor Moreira passou pelo processo de inspeção da equipe da Sesa. “Eu achei bem importante essa medida, serve para pelo menos ajudar a combater possíveis suspeitos. Graças a Deus comigo e com meu irmão está tudo bem, nos cuidamos bastante desde quando iniciou o surto no Brasil e estamos voltando para casa sadios para ficarmos juntos de nossos pais”, celebra.

Avaliação
Segundo o médico Pedro Pinheiro, 34, a medida é eficiente e é um dos procedimentos necessários para diminuir a incidência do Covid-19 no estado. “Estas medidas, de certo modo, acabam sim por diminuir a propagação do vírus. Elas aumentam o intervalo de surgimento de novos casos”, afirmou o especialista.
Contudo, o médico aponta que nem todos os infectados poderão ser detectados na barreira sanitária do aeroporto em virtude dos casos onde há ausência de sintomas. “É uma forma de detectar os indivíduos suspeitos, porém, devemos lembrar que grande parte dos indivíduos assintomáticos são uma fonte propagadora do vírus”, reiterou. Por isso, mesmo sem nenhum sintoma, todos os passageiros que desembarcarem no estado devem também aderir ao isolamento social convocado pelas autoridades.
Caso a temperatura corporal e o questionário indiquem o passageiro como um caso suspeito do novo coronavírus, os profissionais da Sesa, que estão devidamente preparados, vão orientar quais procedimentos serão efetuados. Na maioria dos casos, a recomendação é de isolamento por 14 dias. A ida a alguma unidade de saúde somente será recomendada para casos graves.

Obstáculos
Essa Barreira Sanitária só foi posta em prática após o Governo do Ceará conseguir autorização judicial para tal. A necessidade de intervenção do poder judiciário se deu pela não concordância do estado com o executivo federal. Essa iniciativa de controlar a chegada por via aérea já era do desejo do governador Camilo Santana desde a semana passada, contudo, a jurisdição sobre os aeroportos é federal e esse tipo de controle sanitário é de responsabilidade da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Mas, na tarde do último sábado (21), o juiz titular da 24ª vara federal do Ceará, Ricardo Ribeiro Campos, em caráter liminar, determinou que a Anvisa não poderia impedir que o Governo do Estado implantasse barreira sanitária e fizesse inspeção de passageiros no Aeroporto de Fortaleza. O juiz estabeleceu também multa, em caso de desobediência à determinação, de R$ 500 mil.
O médico Pedro Pinheiro afirmou que essas medidas tem também um efeito em cadeia, onde essa Barreira Sanitária propicia uma menor procura às unidades de saúde, de modo que se evita o colapso do sistema de saúde do estado. “Esse tipo de medidas achatam a curva de incidência do vírus, consequentemente o serviço de saúde se torna mais efetivo na resolução de novos casos”, explicou.

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