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Conflitos: EUA veem cenas de barbárie

segunda-feira, 01 de junho 2020

Em cima de um carro da polícia destruído, um manifestante pula repetidas vezes. Rodeado por centenas de pessoas, ele abre os braços e se joga em cima das luzes de emergência da viatura. Parece um das cenas finais de “Coringa”, mas é Nova York em mais uma noite de protestos por todas as partes dos EUA. Na quinta noite consecutiva de atos pelo fim da violência policial contra negros no país, no sábado (30) e na madrugada deste domingo (31), imagens como essa se multiplicaram, desafiando toques de recolher impostos a dezenas de cidades e convocações adicionais de soldados da Guarda Nacional.
Os protestos ocorreram em ao menos 75 cidades na última noite, contra cerca de 30 na sexta-feira (29), segundo levantamento do jornal The New York Times. Até agora, ao menos quatro pessoas morreram em meio aos atos, e a polícia fez ao menos 1.700 prisões. Prefeitos de mais de 20 cidades decretaram toques de recolher. Novos atos seguem sendo realizados na manhã deste domingo.
As manifestações detonadas pela morte de George Floyd, homem negro cujo pescoço foi prensado no chão pelo joelho de um policial branco, há dias já não se limitam a Minneapolis, onde o crime ocorreu, e espalham, ao mesmo tempo, reações contra o racismo e violência nas ruas. De Los Angeles a Miami e Chicago, os protestos marcados por gritos de “não consigo respirar”, frase dita por Floyd enquanto era sufocado, começaram pacificamente antes de se tornarem tumultuosos, com ruas bloqueadas por ativistas, carros incendiados, saques e até linchamentos.
Do outro lado, as forças de segurança reagiram em cenas de bárbarie. Em Nova York, dois carros da polícia atropelaram dezenas de manifestantes que tentavam impedir a passagem dos veículos. Em Atlanta, na Geórgia, dois jovens negros foram arrancados à força de dentro de um carro por policiais que usavam o que parecem ser armas de choque. Nas imagens transmitidas pela CBS, as vítimas não oferecem resistência e, mesmo assim, são tratadas com brutalidade.
Em Salt Lake City, o canal ABC 4 flagrou um agente com escudo empurrando um idoso de bengala. Na mesma cidade, outra cena de selvageria. Em reação a um homem branco que ameaçava manifestantes com arco e flecha, ativistas lincharam o agressor. Viaturas foram incendiadas na Filadélfia, e lojas, saqueadas em Los Angeles. Agentes em Richmond, na Virgínia, tiveram de ser hospitalizados devido a ferimentos, e pelo menos uma pessoa foi morta em Indianápolis, onde um vice-chefe de polícia disse que o departamento recebeu tantos relatos de disparos que eles perderam a conta.
Nos últimos dias, muitos jornalistas também foram agredidos pelas forças de segurança -e, às vezes, por manifestantes. Na sexta (29), a fotógrafa Linda Tirado levou um tiro de bala de borracha no olho esquerdo enquanto cobria os atos em Minneapolis. A repórter Kaitlin Rust, do canal Wave 3 News, e o fotojornalista James Dobson foram alvos de balas de pimenta por policiais que pareciam mirar a jornalista. Ao vivo, ela gritava “estou sento atingida!”.

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