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Em meio à crise, Vladimir Putin pede a cidadãos russos que fiquem em casa

quarta-feira, 25 de março 2020

O presidente Vladimir Putin fez seu primeiro pronunciamento em rede de TV acerca da pandemia do coronavírus, um mês após o primeiro caso de infecção ser confirmado na Rússia, e pediu para que os cidadãos do país fiquem em suas casas. Criticado por ter demorado a reconhecer a extensão da crise, Putin ainda não decretou a quarentena que vem sendo norma mundo afora. “Não pense: ‘Isso não pode acontecer comigo’. Pode acontecer com qualquer um. O mais importante é ficar em casa”, disse.
O presidente anunciou um feriado de uma semana no país, a partir do domingo (30), fechando todos os serviços não essenciais. Trabalhadores serão pagos normalmente durante o período, visto com uma espécie de ensaio para medidas de confinamento mais drásticas. Por ora, apenas pessoas com mais de 65 anos estão obrigadas a ficar em casa, mas há pouca ou nenhuma vigilância nas grandes cidades.
Putin também informou o que já se esperava: o referendo sobre as mudanças constitucionais que o permitirão buscar mais reeleições a partir de 2024, aprovado no Parlamento e pela Justiça, foi adiado de 22 de abril para uma data ainda incerta. Ele também listou uma série de medidas iniciais para tentar mitigar os efeitos econômicas da crise do coronavírus. Quem perder o empregou ou não puder trabalhar por doença receberá o equivalente a um salário mínimo mensal do governo até o fim do ano.
Na Rússia, o mínimo equivale a R$ 780, mas há variações regionais: em Moscou, por exemplo, o valor é igual a R$ 1.300. Além disso, cada criança nas famílias recebará uma ajuda de R$ 45 mensais por tempo indeterminado. A pandemia atinge o país no momento em que dificuldades econômicas se insinuam pela queda no preço do barril do petróleo, centro da exportação russa assim como o gás. A disputa sobre a regulação do mercado com a Arábia Saudita já insinuava restrições ao já deprimido crescimento russo, previsto para menos de 1,5% neste ano.
Há no país 658 casos da doença, com 3 morts registradas. Os números são relativamente baixos, o que levantou suspeitas sobre sua acurácia. Na terça (24), o prefeito de Moscou, Serguei Sobianin, que é responsável nacionalmente pelo combate à Covid-19, admitiu que a subnotificação por falta de testagem maciça é a provável responsável pelos números.

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