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Mundo

Governador de NY não decretou fim de quarentena

quarta-feira, 25 de março 2020

Informações falsas sobre a situação do novo coronavírus nos Estados Unidos, mais especificamente em Nova York, têm sido disseminadas pelas redes sociais e por aplicativos de mensagens. O governador do estado americano, Andrew Cuomo, determinou na última sexta-feira (20) que trabalhadores de serviços não essenciais ficassem em casa e que as pessoas evitassem sair de suas residências. “Esses fechamentos temporários não serão fáceis, mas eles são necessários para proteger a saúde e segurança das pessoas de Nova York e dos americanos”, afirmou o democrata. Até essa quarta (25), Nova York contabilizava aproximadamente 30 mil casos de infecção e 218 mortes por Covid-19.


Nessa segunda (23), Cuomo fez um novo pronunciamento em que voltou a defender a quarentena, mas na internet usuários associavam o discurso a uma revisão da decisão de semana passada. “Governador de Nova York acabou de dizer numa coletiva que vai voltar atrás no lockdown [quarentena] que ele mesmo decretou, pois as pessoas PRECISAM voltar ao trabalho”, compartilhou de forma errada uma pessoa no Twitter. Como o vídeo está em inglês, há mais facilidade na disseminação da fake news no Brasil. Mas o político não voltou atrás. “Meu conselho seria aja o quanto antes e dramaticamente, não procrastine”, afirmou, durante uma fala sobre como enfrentar a pandemia do novo coronavírus. “Ouço pessoas dizendo ‘não queremos esse nível de disrupção, isso não será tão ruim, isso é coisa da mídia’. Eles estão errados.”

Emergência
O pronunciamento ocorreu para o anúncio da construção de quatro hospitais de emergência na cidade de Nova York – cada um terá capacidade para cerca de 250 pessoas, segundo o governador. Cuomo é enfático ao defender a posição de isolamento social e restrição do que não seja serviço básico.


“Isso vai ficar muito pior antes de ficar bem. Nós vamos ter o número de casos crescer dramaticamente. Nós vamos ter mais gente vindo para o sistema de saúde do que a gente pode comportar”, enfatizou. Quando questionado sobre a economia, o político respondeu: “Essa [preocupação com a saúde das pessoas] é para mim a prioridade para o governo, para a sociedade. Nós estamos planejando o que fazer com a economia. Mas primeiro temos que fazer tudo o que pudermos para salvar vidas literalmente.”


Segundo ele, “a economia a gente conserta.” Cuomo tem tido alguns embates com o presidente dos EUA, Donald Trump, que tem postergado medidas mais drásticas e criticado alguns governadores.
A postura do líder republicano tem servido de exemplo para o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que nessa terça (23) voltou a se manifestar em rede nacional para atacar governadores, imprensa e minimizar os efeitos do novo coronavírus.

“O vírus chegou, está sendo enfrentado por nós e brevemente passará. Nossa vida tem que continuar. Os empregos devem ser mantidos. O sustento das famílias deve ser preservado. Devemos, sim, voltar à normalidade”, disse ele, contrariando recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde) e de especialistas. Até esta terça (24), a nova doença levou a 46 mortes no Brasil, entre os 2.201 casos confirmados de coronavírus, segundo o Ministério da Saúde. Para Bolsonaro, como o grupo de risco é composto principalmente por idosos, as aulas nas escolas, por exemplo, deveriam ser retomadas.

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