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Militares podem assumir combate ao coronavírus em Israel

terça-feira, 31 de março 2020

É hora de as forças de segurança tomarem as rédeas do combate ao novo coronavírus. Há cada vez mais vozes em Israel que pregam isso em meio à pandemia da Covid-19, que contabiliza mais de 4.800 infectados e 17 mortos no país.

Os que defendem a ideia afirmam que militares e agentes de segurança são, em geral, mais preparados e eficientes do que autoridades civis do Ministério da Saúde para lidar com situações de crise em um país acostumado a enfrentar guerras, conflitos e terrorismo.

Uma diretriz do próprio Ministério da Saúde, aprovada em 2007, estipula que, no caso de uma epidemia significativa, o controle deve passar para a Autoridade Nacional de Emergência (ANE), órgão vinculado ao Ministério da Defesa.

A ANE seria, então, a responsável por coordenar todas as instituições, órgãos e ministérios em momentos de emergência, com ajuda do Comando de Retaguarda das Forças de Defesa de Israel –a unidade do exército israelense responsável pela defesa civil dentro das fronteiras do país.

Esse plano ainda não foi posto em prática, e embora as forças de segurança já estejam envolvidas no esforço nacional contra a Covid-19, a responsabilidade ainda é do Ministério da Saúde. As decisões consideradas mais importantes estão sendo tomadas pessoalmente pelo primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu.

Segundo interlocutores, no entanto, o ministro da Defesa, Naftali Bennet, está fazendo pressão por um maior envolvimento das forças de segurança no enfrentamento da pandemia.

Isso pode acontecer se o premiê anunciar medidas ainda mais drásticas de isolamento social. Atualmente, as regras já são severas. Os cidadãos não podem se afastar mais de 100 metros de suas casas sob pena de receber multas. Há poucas exceções, como ir trabalhar (em funções consideradas essenciais), comprar comida ou remédio, receber tratamento médico ou ajudar os necessitados.

Para assegurar que as medidas sejam seguidas, principalmente por comunidades que têm desrespeitado mais o isolamento, como ultraortodoxos (extremamente religiosos), o Exército se diz preparado.
“As Forças de Defesa de Israel estão prontas para fechar completamente o país. Temos sete batalhões à disposição para isso. Eu não gostaria de ver fotos de soldados impondo o isolamento, mas, se não houver escolha, faremos isso”, disse o ministro da Defesa.

Para Ran Reznik, colunista de ciência do jornal Israel Hayom, o primeiro-ministro e o Ministério da Saúde estão gerenciado a situação de maneira responsável. Mas, recentemente, surgiram problemas com o aumento dos casos de infecção.

“O Ministério da Defesa já deveria ter o comando e o controle completos da luta nacional contra o coronavírus”, acredita. “A solidariedade civil não parece ser suficientemente eficaz, e devem ser tomadas medidas adicionais para garantir o isolamento social e a permanência nos lares.”

Centenas de soldados armados já se uniram à polícia para impor as restrições que estão em vigor agora. Antes, as forças armadas haviam dito que não mobilizariam tropas. A medida pode ser o primeiro passo para o bloqueio nacional completo.

Nesse caso, o Exército enviaria algo em torno de 3.000 soldados para ajudar a polícia a patrulhar as ruas. Como parte dos preparativos para o fechamento, mais de 2.200 reservistas foram convocados.

Alguns se perguntam, no entanto, se os militares estão preparados para lidar com um evento de natureza civil. Mesmo que os israelenses, em geral, confiem no Exército e tenham escolhido diversos generais como primeiros-ministros (Yitzhak Rabin, Ehud Barak e Ariel Sharon são exemplos), a falta de preparo médico, a truculência e a inflexibilidade no trato com a população podem ser problemas.

“Quais são as condições para declarar um estado de emergência na frente civil, transferindo assim a responsabilidade para o Comando de Retaguarda do Exército e a Autoridade Nacional de Emergência?”, indaga Udi Dekel, diretor-executivo do Instituto Nacional de Segurança de Israel, em relatório de 26 de março. “É aconselhável se preparar, embora a responsabilidade ainda não deva ser transferida”, acredita o general da reserva que serviu em postos de inteligência e planejamento estratégico no Exército.

O ex-chefe da Autoridade Nacional de Emergência, o também general da reserva Bezalel Treiber acredita que o Exército pode ajudar muito no combate à edipemia do coronavírus, mas não como coordenador no caso de um evento que é totalmente civil. Segundo ele, a ANE foi enfraquecida nos últimos anos por falta de verbas e não tem as condições necessárias para lidar com a crise.

Para outro general da reserva, Guira Eiland, o ideal seria haver uma cooperação entre os ministérios da Saúde e da Defesa em um “war room” (sala de guerra) –liderado por uma figura pública de renome e que não seja um político. “Nem Napoleão venceu a guerra sozinho. É preciso juntar forças.”

Enquanto a discussão sobre a responsabilidade esquenta, o Exército israelense se prepara para entrar em ação. Há até um nome para o cenário em que assuma o controle: Operação Raio de Luz.

Segundo esse plano, o país seria dividido em sessões, cada uma sob controle de uma divisão. Cidades seriam patrulhadas por brigadas, e bairros, por batalhões.

O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, o general Aviv Kochavi, que entrou em isolamento nesta terça-feira (31) por ter tido contato com militares diagnosticados com coronavírus, já ordenou que a corporação mude o foco da luta contra o terrorismo para a luta contra a epidemia.

Unidades militares estão presentes em diversos locais. A Divisão de Tecnologia e Logística montou tendas com 30 a 50 leitos de internação perto de hospitais civis, com o objetivo de permitir a transferência de pacientes em condições graves.

E o Ministério da Defesa está atuando na aquisição de equipamentos respiratórios e testes de diagnóstico por meio de seus adidos militares e de seu departamento de compras -que em geral adquire basicamente armamentos.

O Mossad, a agência de inteligência israelense, também se envolveu no enfrentamento da crise e trouxe do exterior 10 milhões de máscaras, cerca de 30 respiradores artificiais e 100 mil testes para diagnóstico da Covid-19.

Fonte: Folhapress

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