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Mundo

Nova caricatura em jornal acirra crise com Turquia

quinta-feira, 29 de outubro 2020

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, abriu uma nova frente de batalha com a França, agora contra o jornal satírico Charlie Hebdo. O líder turno prometeu adotar “ações jurídicas e diplomáticas” contra a capa da publicação, em que ele aparece de cueca, levantando as vestes de uma mulher e descobrindo suas nádegas.
Já tensas há vários meses, as relações entre França e Turquia azedaram ainda mais após a morte do professor Samuel Paty, decapitado neste mês por ter mostrado aos alunos uma charge de Maomé, em aula sobre liberdade de expressão. Retratar o profeta é banido por religiosos muçulmanos, e o Charlie Hebdo esteve envolvido em vários conflitos desde 2006, quando reproduziu charges do jornal dinamarquês Jyllands-Posten que haviam gerado ataques a embaixadas da Dinamarca em vários países islâmicos.
O próprio jornal foi alvo de atentados em 2011, 2013 e 2015, quando 12 pesoas foram mortas em ataque terrorista. Após a morte do professor Paty, Macron prometeu endurecer medidas para impedir a radicalização islâmica. Dias antes, ele havia anunciado um plano para evitar o que chamou de “separatismo islâmico” na França. O presidente francês também declarou que seu país não abrirá mão do secularismo nem deixará de defender a liberdade de publicação de caricaturas, ainda que elas possam ofender um grupo da população.
A defesa da charge de Maomé havia levado Erdogan a dizer que o líder francês precisava de tratamento mental e a pedir um boicote a produtos franceses em seu país, na esteira de movimentos semelhantes em outras nações muçulmanas. Já a reação contra as caricaturas de si mesmo se apóiam em uma lei turca que considera crime “ofender o presidente”. Em um ano, 36 mil pessoas foram investigadas em um ano por insulto a Erdogan e 12 mil foram julgadas, entre as quais 308 crianças; 3.831 foram condenados, segundo a agência de notícias turca BirGün.
Após a divulgação da capa da revista francesa, um porta-voz de Erdogan afirmou que o país “condena esse esforço mais nojento dessa publicação para espalhar seu racismo cultural e ódio”. Na terça-feira (27), o líder turco já havia anunciado um processo contra o deputado holandês da ultradireita Geert Wilders, que publicou caricatura identificando o líder turco como terrorista.

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