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Mundo

ONU chega aos 75 anos sob as sombras da pandemia

terça-feira, 22 de setembro 2020

A ONU (Organização das Nações Unidas) chega aos 75 anos, celebrados nesta semana nos debates de sua Assembleia Geral, sob as sombras da pandemia e da polarização da disputa geopolítica entre Estados Unidos e China. A Covid-19 turvou o clima de celebração, levando a discussões sobre o futuro pós-doença e tornando a reunião anual um evento virtual.
A partir desta terça (22), falarão líderes por meio de teleconferência, a começar por Jair Bolsonaro –a tradição dá a primeira palavra ao presidente brasileiro, neste caso ironicamente um crítico usual de organismos internacionais. Mas é a rixa entre americanos e chineses que marca o momento da organização, que de resto teve sua existência definida pelo conflito.
Sua antecessora, a Liga das Nações, havia surgido em 1919 dos escombros da Primeira Guerra Mundial com o desígnio de evitar uma repetição da tragédia que ceifara 20 milhões de vidas. Fracassou, com uma conta talvez quatro vezes superior de mortes no conflito seguinte, de 1939 a 1945. Com o advento da Era Atômica, parecia imperativo criar o sonhado Parlamento das nações e evitar algo ainda pior. Não é inusual que novamente um contencioso esteja a demarcar o futuro da entidade.
A Guerra Fria 2.0 entre EUA e China tornou a ONU um campo de batalha particular, assim como já havia sido durante a versão 1.0 entre americanos e soviéticos. Naquele 24 de outubro de 1945, quando a entidade foi criada em San Francisco, o objetivo final era a manutenção da paz mundial.
Não é possível creditar a ausência de uma Terceira Guerra Mundial às Nações Unidas, claro, mas a simples existência de um fórum para a esgrima internacional já a tornava relevante. O palco central, seu Conselho de Segurança. Ele é formado pelos vitoriosos reais da Segunda Guerra (EUA, União Soviética/Rússia e Reino Unido) e pelos levados de carona (França e China), não por acaso hoje as principais potências atômicas.
Seu poder de veto é um instrumento poderoso, usualmente combinado entre Moscou e Pequim, eixo alternativo ao Ocidente. Nos últimos cinco anos, os russos apertaram o botão do não 14 vezes, os chineses, 5, e os americanos, 2. Franceses e britânicos não o fazem desde 1989.

Dinâmica
A alteração da dinâmica internacional, em especial após o fim da Guerra Fria em 1991, implicou a discussão sobre a reforma do conselho. Há uma questão clara de representatividade. Quando a ONU foi criada, o conselho com seus então 11 membros (incluindo os temporários) refletia 22% dos países filiados. Agora, seus 15 integrantes são apenas 8% do universo da Assembleia Geral.
O Brasil, candidato natural a um assento permanente assim como Índia, Alemanha e Japão, fez disso pedra de toque no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010). Foi ignorado, e hoje a perda de peso relativo da ONU não parece animar a diplomacia.
Mais: sob Ernesto Araújo, a chefia do Itamaraty passou a ver órgãos multilaterais como cabeças da Besta do Apocalipse de um certo globalismo com coloração marxista. Como usual, tal discurso emula o que diz Donald Trump, o presidente dos EUA.
O americano reclama baseado na sua contribuição ao orçamento de US$ 3 bilhões (R$ 16 bilhões) anuais da ONU: 22% vêm da nação mais rica da Terra. Trump, o segundo a falar na terça, é crítico contumaz do multilateralismo e deverá mirar problemas específicos dos americanos, como o programa nuclear do Irã, país com o qual quase foi à guerra em janeiro deste ano.
Aí ele difere dos chineses. O dirigente Xi Jinping, pelo que adiantou sua chancelaria, irá discursar em quarto lugar e fará a defesa dos entes multilaterais globais. Essa tem sido uma constante da ditadura comunista nos últimos anos. Pequim saltou de contribuição ínfima, em 2000, para o segundo lugar (12%) em 2019.

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