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Pesquisadores apontam que pandemia elevou taxa de suicídio no Japão após década de declínio

sexta-feira, 22 de janeiro 2021

Pela primeira vez em mais de uma década, o número de suicídios voltou a subir no Japão, em uma tendência que pesquisadores apontam como consequência da pandemia de coronavírus. Os dados revelam ainda um recorte de gênero: os suicídios entre os homens caíram e, entre as mulheres, cresceram.

(Foto: Reprodução / Internet)

De acordo com um levantamento divulgado pelo Ministério da Saúde nesta sexta-feira (22), foram registradas 20.919 mortes nessa categoria no ano passado –750 casos a mais do que em 2019.

É como se, a cada 25 minutos, uma pessoa cometesse suicídio no Japão, país que tem um longo histórico de problemas com essa prática, vista de maneira distorcida como uma forma de evitar vergonha ou desonra.

No primeiro semestre de 2020, os números pareciam manter a queda constante observada nos últimos 15 anos, incluindo dez anos consecutivos de declínio desde 2009. A partir de julho, porém, a curva de suicídios começou a subir em meio ao estresse emocional e financeiro causado pela pandemia.

Ao todo, 13.943 homens e 6.976 mulheres tiraram suas vidas no Japão no último ano. Entre os homens, o número representa queda de 1% em relação a 2019, enquanto a taxa entre as mulheres marca um crescimento de 14,5%.

De acordo com ativistas e pesquisadores, uma das causas prováveis é o aumento do desemprego entre as mulheres, mais numerosas em empregos precários, especialmente em hotéis e restaurantes, dois setores muito afetados pela crise econômica gerada pela Covid-19.

“A tendência dolorosa de aumento de suicídios de mulheres continua”, disse um porta-voz do Ministério da Saúde do Japão durante entrevista coletiva.

“Os suicídios são o resultado de muitas coisas diferentes, mas acho que podemos dizer com certeza que houve um impacto do coronavírus nos fatores econômicos e de estilo de vida.”

De acordo com os números divulgados nesta sexta, o pior mês foi outubro, quando foram registrados 2.153 suicídios –o maior total mensal em mais de cinco anos. Naquele mês, 851 mulheres tiraram a própria vida, marcando um crescimento de 82,6% em relação a outubro de 2019.

Por muitos anos, buscar ajuda psicológica era uma prática estigmatizada no Japão, como se fosse algum sinal de fraqueza. Depois que os suicídios alcançaram um pico de 34.427 casos em 2003, porém, legisladores japoneses elaboraram um abrangente programa de prevenção, que foi lançado quatro anos depois.

Por meio de uma combinação de esforços governamentais e corporativos, que incluíram a identificação de grupos de risco, a ampliação do acesso a cuidados de saúde mental e a limitação na quantidade de horas extras –o excesso de trabalho é considerado um agravante–, os suicídios diminuíram para pouco mais de 20 mil em 2019, o nível mais baixo desde 1978.

Para a professora Michiko Ueda, da Universidade Waseda, em Tóquio, os dados do levantamento caracterizam um ponto de inflexão. “Certamente o coronavírus é um fator importante [para o aumento de suicídios], e os números devem aumentar novamente neste ano”, disse a especialista à agência de notícias AFP.

Outra preocupação das autoridades é o aumento nas taxas de suicídio entre os jovens japoneses. Segundo o levantamento, mais de 300 crianças e adolescentes de até 18 anos cometeram o suicídio entre abril e novembro do ano passado, número que representa um aumento de 30% em relação ao mesmo período de 2019.

De acordo com uma porta-voz do Centro de Prevenção de Suicídios de Tóquio, os jovens se tornaram um público particularmente vulnerável por estarem mais ansiosos com o futuro e sofrerem mais com as diminuição das relações sociais.

Sinais de alertas Falar sobre querer morrer, sobre não ter propósito, sobre ser um peso para os outros ou estar se sentindo preso ou sob dor insuportável Procurar formas de se matar Usar mais álcool ou drogas Agir de modo ansioso, agitado ou irresponsável Dormir muito ou pouco Se sentir isolado Demonstrar raiva ou falar sobre vingança Ter alterações de humor extremas O que fazer Não deixe a pessoa sozinha Tire de perto armas de fogo, álcool, drogas ou objetos cortantes Leve a pessoa para uma assistência especializada Ligue para canais de ajuda 188 é o telefone do Centro de Valorização da Vida (CVV). Também é possível receber apoio emocional via internet (www.cvv.org.br), email, chat e Skype 24 horas por dia.

Fonte: Folhapress

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