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Polícia de Hong Kong prende 300 em novo protesto contra leis de segurança

quarta-feira, 27 de maio 2020

A polícia de Hong Kong usou gás de pimenta e fez 300 prisões enquanto milhares de pessoas tomaram as ruas da cidade nesta quarta-feira (27).

Os protestos expressaram a revolta contra uma lei que criminaliza a ridicularização do hino nacional da China, mas também foram motivados pelo anúncio de uma nova legislação de segurança nacional proposta proposta por Pequim na semana passada, que deve diminuir as liberdades no território semi-autônomo.

Pessoas de todas as idades foram às ruas, algumas vestidas de preto, algumas com roupas de escritório ou uniformes escolares e outras escondendo o rosto por baixo de guarda-chuvas abertos -cena que lembra os protestos que abalaram Hong Kong no ano passado.

O batalhão de choque disparou spray de pimenta para dispersar a multidão na região central. Em outros locais a polícia deteve grupos com dezenas de manifestantes, obrigando-os a sentar nas calçadas antes de revistar seus pertences.

Muitas lojas, bancos e escritórios fecharam mais cedo.
Além disso, a forte presença policial nos arredores do Conselho Legislativo desencorajou manifestantes que planejavam interromper o debate do projeto de lei que pune com até três anos de prisão quem desrespeitar o hino nacional chinês.

A China está particularmente irritada com a população de Hong Kong, especialmente os torcedores de futebol, que vaiam o hino nacional para expressar sua raiva em relação a Pequim.

Os deputados pró-democracia, que não têm maioria no Parlamento, uma instituição parcialmente eleita por sufrágio universal, impedem a votação deste texto há meses.

No início de maio, representantes eleitos pró-Pequim assumiram o controle do Comitê da Câmara encarregado de revisar os projetos antes de serem examinados. Os opositores chamaram esse ato de inconstitucional.

Uma segunda leitura do texto foi incluída na pauta desta quarta-feira, e uma terceira será realizada na próxima semana. Depois disso, o projeto se tornará lei, se for aprovado.

Para os ativistas pró-democracia, as manifestações são o único meio de fazer suas vozes serem ouvidas em uma cidade sem verdadeiro sufrágio universal.

Os protestos vêm na esteira de uma legislação de segurança nacional proposta pela China que almeja combater a secessão, a subversão e o terrorismo em Hong Kong, termos que autoridades tanto do território quanto de Pequim vêm usando cada vez mais em relação aos protestos pró-democracia.

As novas leis podem levar agências de inteligência chinesas a montarem bases em Hong Kong, erodindo as liberdades no território e ameaçando a independência do judiciário local, menos repressivo que o de Pequim.

O governo de Hong Kong, alinhado à ditadura comunista, já havia tentando aprovar leis semelhantes em 2003, mas encontrou resistência generalizada entre população e opositores. À época, a legislação foi chamada de Artigo 23.

A proposta de Pequim desencadeou a primeira grande rebelião nas ruas do território em meses no domingo (24), quando a polícia usou gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar manifestantes.

Estados Unidos, Reino Unido, União Europeia e outros expressaram preocupação com a legislação, vista amplamente como um possível divisor de águas para a cidade mais livre da China e um dos maiores polos financeiros do planeta.

Autoridades chinesas e o governo de Hong Kong -alinhado ao Partido Comunista- dizem que a autonomia da cidade não está ameaçada, pois a nova lei de segurança terá um foco específico.

Mas, ao mesmo tempo, a China está na defensiva. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores afirmou nesta quarta que Pequim tomará as medidas necessárias contra interferência estrangeira em relação à nova legislação.

Zhao Lijian fez as observações durante uma entrevista coletiva ao responder um questionamento sobre os comentários do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que Washington está trabalhando em uma forte resposta às novas medidas.

Fonte: Folhapress

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