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Mundo

Portugueses não têm dinheiro para aquecer casa

quarta-feira, 13 de janeiro 2021

Assim como a vizinha Espanha, que vive a pior nevasca em 50 anos, Portugal enfrenta agora uma onda de frio recorde. A tempestade Filomena e outros fenômenos meteorológicos derrubaram os termômetros em todos o país, levando neve a lugares que ela não ocorria há mais de uma década, como o Alentejo. Na maioria dos distritos do norte e do centro, as mínimas eram negativas, chegando a -5ºC em Bragança.
Além de cobrir de neve várias regiões do país, a queda abrupta das temperaturas expôs a precariedade das condições de aquecimento para milhões de portugueses. Pelo menos 18,9% da população, cerca de 2 milhões de pessoas, não tem dinheiro para aquecer a própria casa, de acordo com uma pesquisa de 2019 da Eurostat (agência de estatísticas da União Europeia). Um resultado bem acima dos 6,9% da média dos países da UE.
Tentando recorrer a soluções mais baratas, como fogareiros improvisados de querosene ou carvão, os portugueses estão também vulneráveis a acidentes, muitas vezes fatais. No mais recente, em 27 de dezembro, um casal de idosos morreu asfixiado por monóxido de carbono na região da Guarda. Eles usavam um fogareiro a carvão para aquecer o quarto em que dormiam.
A dificuldade financeira para aquecer a casa, chamada oficialmente de pobreza energética, é considerada um problema sério para a Comissão Europeia. “A pobreza energética é uma forma diferente de pobreza, associada a várias consequências adversas para a saúde e o bem-estar das pessoas”, define a instituição, que enumera doenças cardíacas, respiratórias e abalos à saúde mental causados pela exposição a baixas temperaturas e o “estresse associado a contas de eletricidade incomportáveis”. A questão financeira tem um grande peso em Portugal. Apesar de ter um dos salários mínimos mais baixos da zona euro, o país tem a eletricidade entre as mais caras do bloco.
Dados de 2018 também da Eurostat, ajustados pelo poder de compra entre os países, mostravam Portugal como o membro da UE com a eletricidade mais cara para as famílias. As más condições de isolamento térmico das casas lusitanas também são apontadas como parte do problema.

Normas
Enquanto há países com normas definidas sobre o tema desde os anos 1960, o primeiro regulamento sobre condições térmicas da construção em Portugal é de 1990. Ou seja, uma parte significativa das casas do país simplesmente não foi construída levando esses critérios em consideração.

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