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Mundo

Pou quer Mercosul sem alinhamento com EUA ou China

sexta-feira, 03 de julho 2020

No dia em que assumiu a presidência rotativa do Mercosul, o presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, afirmou que o bloco não pode, diante da queda de braço global entre Estados Unidos e China, optar por ficar mais próximo de uma das potências mundiais em detrimento da outra. “Quero ser muito claro no que diz respeito aos EUA e à China. Não podemos cair na falsa dicotomia de estar mais próximos de um do que outro. Os países que triunfaram no seu desenvolvimento estiveram próximos dos dois”, declarou Lacalle Pou nessa quinta-feira (2), durante a cúpula do Mercosul.
A reunião dos chefes de Estado de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai ocorreu de forma virtual pela primeira vez na história, em razão da crise do novo coronavírus. Também participaram os presidentes do Chile (Sebastián Piñera), da Colômbia (Iván Duque) e da Bolívia (Jeanine Añez). Na ocasião, o paraguaio Mario Abdo Benítez passou a presidência temporária do bloco a Lacalle Pou.
Ao destacar a necessidade de um posicionamento equidistante do Mercosul entre China e EUA –que protagonizam as maiores disputas nas áreas de comércio e tecnologia -, a fala de Lacalle Pou foi interpretada por membros do governo Jair Bolsonaro como uma queixa em relação à política de alinhamento automático do Brasil com os Estados Unidos. Além de defender posições dos americanos, o chanceler Ernesto Araújo é criticado por integrantes da ala pragmática do governo por declarações e ações que irritaram os chineses, hoje os maiores parceiros comerciais do Brasil. Auxiliares do uruguaio, no entanto, negam essa versão e dizem que Lacalle Pou apenas explicitou uma posição consolidada de seu partido na área de política externa. Negociadores brasileiros ouvidos pela reportagem avaliam, sob condição de anonimato, que o presidente do Uruguai buscou enviar uma sinalização para o setor exportador de seu país.
Segundo esses interlocutores, os uruguaios pleiteiam há tempos a assinatura de acordos comerciais com a China e com os EUA, potenciais destinos das exportações de carne do país sul-americano. As regras do Mercosul apenas permitem que acordos de livre comércio sejam fechados com a anuência dos quatro integrantes.

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