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Violência volta a Hong Kong e testa plano de controle

domingo, 24 de maio 2020

O primeiro embate entre ativistas pró-democracia em Hong Kong e o governo leal à China após Pequim decidir apertar o controle sobre o território autônomo mostra que o impasse iniciado no ano passado não só permanece, mas pode recrudescer. Milhares de manifestantes foram à elegante região de Causeway Bay, dona do metro quadrado comercial mais caro do mundo, neste domingo (24).
Os manifestantes, que já adotavam máscaras e proteção facial, não se mostraram intimidados pelo novo coronavírus – a pandemia foi bastante mitigada em Hong Kong, com apenas 142 casos por milhão de habitantes (o Brasil tem 1.644) e 0,5 mortes por milhão (164 entre brasileiros).
“A hora de revidar é agora”, disse por mensagem de aplicativo Joshua Wong, o jovem de 23 anos que desde 2014 está na linha de frente de protestos contra o domínio chinês sobre a antiga colônia britânica. Diferentemente de outros 120 ativistas, segundo a mídia local, ele não foi preso. Mas as cenas de barricada nas ruas, gás lacrimogêneo e quebra-quebra lembraram os momentos mais tensos dos protestos iniciados em junho do ano passado que abalaram a dinâmica economia da região.
A dureza da repressão também contribuiu para esse desgaste. Policiais foram breves na exibição da famosa faixa azul pedindo para que atos ilegais sejam dispersados. Vídeos na internet mostraram várias cenas de violência, de lado a lado aliás: um advogado foi espancado por manifestantes sem motivo aparente.

Trajetória
Em 2019, os atos, que anabolizaram protestos semelhantes de anos anteriores, tiveram como estopim uma lei que facilitava a extradição de honcongueses para a China comunista. O texto foi retirado, e as demandas por liberdades como eleições universais aumentaram. No território, o Judiciário é autônomo, há liberdade de expressão e o sistema e capitalista, tudo graças ao arranjo de devolução de seu controle pelo Reino Unido aos chineses, em 1997. Assim, toda e qualquer mudança legal que sugira perda de direitos adquiridos até 2047, quando expira o arranjo, é motivo de tensão. Inclusive o artigo 23 da Lei Básica de Hong Kong, que versa sobre medidas do governo para impedir subversão e secessão, que nunca foi regulado.
Em 2003, honcongueses foram à rua contra a hipótese. Agora, Pequim se agarra a essa desobediência para implantar, via Congresso Nacional do Povo, as mesmas medidas -segundo seus próprios termos. O fará de forma que os manifestantes consideram ilegal, sem consulta ao Conselho Legislativo local. Há uma brecha legal tortuosa para isso, via o chamado Anexo 3 da Lei Básica, mas o mecanismo foi condenado por 200 políticos e especialistas de 23 países em manifesto divulgado sábado (23).

Interesses

A disposição dos ativistas, vistos pelo regime comunista como agentes apoiados pelos Estados Unidos para desestabilizar a China, será testada até a data em que se espera a imposição da lei de segurança, a próxima quinta (28). A primeira amostra foi de que a resistência continuará. Isso tem dois lados: o mais óbvio é que dará a publicidade que os ativistas querem de sua causa ao mundo. Por outro lado, reforçará a noção da ditadura continental de que Hong Kong virou apenas um peão na Guerra Fria 2.0 que trava com Washington. Isso porque o governo de Donald Trump, que já vinha dando apoio aos manifestantes desde o ano passado, tem dito que vai revisar sua relação com Pequim a partir dos desenvolvimentos na cidade-Estado.
É incerto se isso virá em forma de algum tipo de sanção. O ato aprovado pelo Congresso e pelo governo americanos em novembro passado já prevê punições a autoridades honconguesas que cometerem abusos contra ativistas -a rigor, a lista pode chegar até à executiva-chefe local, Carrie Lam.

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