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Nacional

Pandemia do novo coronavírus leva Petrobras a ter prejuízo de R$ 2,7 bilhões

sexta-feira, 31 de julho 2020

A forte queda nas vendas de combustíveis e o colapso nos preços do petróleo provocados pela pandemia levaram a Petrobras a prejuízo de R$ 2,7 bilhões no segundo trimestre de 2020, revertendo lucro de R$ 18,8 bilhões no mesmo período de 2019. No primeiro trimestre, a estatal já havia reportado perda recorde de R$ 48 bilhões, provocada pelo corte de R$ 65,3 bilhões no valor de seus ativos diante de projeções de que o preço do petróleo ficará mais barato nos próximos anos.


Se o prejuízo recorde do início do ano foi contábil, no segundo trimestre as perdas refletem uma combinação de vendas 8% menores a preços 31% mais baratos, em comparação com os verificados no trimestre anterior. O resultado teria sido pior se a Petrobras não tivesse contabilizado no balanço ganho em ação tributária que pode chegar a R$ 16,9 bilhões. A vitória teve um impacto positivo no lucro de R$ 10,9 bilhões. Sem ela, o prejuízo chegaria a R$ 13,8 bilhões.


“A eclosão de uma crise global de saúde causou uma recessão global profunda e sincronizada que afetou severamente a indústria global de óleo e gás”, escreveu o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, no balanço divulgado nesta quinta (30). A combinação de queda nas vendas e menores preços reduziu em 33% na receita líquida da companhia, que fechou o trimestre em R$ 50,9 bilhões. Os efeitos da crise interna foram parcialmente compensados pelo aumento nas exportações, principalmente de combustível marítimo, que atingiram recordes históricos no período.
“Este movimento foi fundamental para compensar a forte contração na demanda por combustíveis no Brasil, especialmente em abril – um mês a ser lembrado na história da indústria de petróleo – e para preservar liquidez”, disse Roberto Castello Branco, lembrando que naquele mês as cotações internacionais chegaram a ser negociadas abaixo de US$ 20 (R$ 103 na cotação atual) por barril. Com as medidas de isolamento social no Brasil, a receita de vendas da companhia com seu principal produto, o óleo diesel, caiu 25% em relação ao primeiro trimestre e 42,1% em relação ao mesmo período de 2019. Já a queda do faturamento com gasolina foi de 41% e 51,8%, respectivamente.

Aviação
O produto mais afetado foi o querosene de aviação, diante das restrições a voos em todo o mundo. No segundo trimestre, a receita com as vendas desse produto foi 89% menor, tanto em relação ao primeiro trimestre quanto na comparação com o mesmo período do ano anterior. O cenário é refletido no desempenho de cada área de negócios da empresa: enquanto a área de Exploração e Produção, responsável pela venda de petróleo, conseguiu fechar o período no azul (R$ 6,3 bilhões), a área de Refino, que vende combustíveis, teve prejuízo de R$ 3 bilhões.


Já em maio, quando os primeiros estados começaram a relaxar as restrições a circulação de pessoas, a Petrobras via melhora no mercado brasileiro de combustíveis. Até aquele mês, o consumo de diesel registrava queda de 30%, enquanto o de gasolina caía entre 40% e 45%. A situação evoluiu nas semanas seguintes e, segundo o MME (Ministério de Minas e Energia), considerando o período até 22 de julho, a queda nas vendas de diesel era de apenas 1,2% e nas de gasolina, de 11%.

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