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Opinião

A degradação política do Brasil

quinta-feira, 21 de maio 2020

Historicamente no Brasil, o nível do político, em todas as esferas, é de autêntica degradação. O parlamento nacional, por seus integrantes, não cumpre seu mister de representar o povo na defesa dos seus anseios. Em regra, prevalecem os interesses pessoais.
É inegável que muitos parlamentares consideram o mandato seu feudo, e, como praxe, a negociação por cargos e espaços no Governo, até porque entendem que, no exercício do mandato, deve prevalecer o domínio pessoal em detrimento do interesse público.
Com efeito, o senador pelo Rio Grande do Norte, Dinarte Mariz, que nos idos de 1964-1984 (Anos de Chumbo) exerceu seu múnus na condição de representante de seu estado, costumava dizer: “Todo homem tem seu preço e eu sei o preço de cada um”. Por certo, referia-se ao jogo político do toma-lá-dá-cá, referindo-se às recompensas obtidas nas negociatas políticas. É o que alguns batizaram com o nome pomposo de “governo de coalizão”. Na hipótese, verifica-se a substituição do paradigma clássico da democracia representativa, que promovia a cidadania e o desenvolvimento político da Nação, pelo parâmetro espúrio de uma democracia funcional, a chamada velha política.
Lembrem-se que a operação Lava Jato incriminou muitos parlamentares corruptos; alguns até chegaram à prisão, como igualmente foram ex-chefes do Executivo condenados por tais práticas.
O compromisso da atual gestão presidencial era desvincular-se da velha política, como ocorreu na formação inicial do governo. Porém, na medida em que acontecimentos não-republicanos eram divulgados, as coisas foram paulatinamente se modificando; e o que a mídia tem noticiado é a cooptação do grupo chamado Centrão para formar a base governamental, contrariando o compromisso do atual presidente com a Nação, o que tem causado um clima negativo para a gestão federal.
Pelo que consta do noticiário político, diversos membros do Centrão já foram aquinhoados com cargos importantes do Governo Federal, como diretor do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), Banco do Nordeste (BNB), Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação e do MEC, só para citar esses.
Nesse contexto, é bom que os órgãos de fiscalização – Ministério Público e Polícia Federal – fiquem atentos, coibindo e investigando atos de corrupção que porventura venham ensaiar os responsáveis pela gestão pública brasileira.

JOSÉ G. MONTEIRO
ADVOGADO

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