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Opinião

Ano do centenário de Cedro III

quarta-feira, 25 de março 2020

No artigo anterior, Ano do Centenário de Cedro II, foram evidenciados os fatores que contribuíram para o rápido desenvolvimento do município e a atração de egressos de outros países, dando como exemplos Manoel Dias Branco, de Portugal, e ngelo ou Angelim Papaléo, da Itália, dentre outros de nosso estado e de outros estados da Federação, aludindo sobre a vinda a Cedro de diversas pessoas que sobreviveram ao massacre ocorrido no Sítio Caldeirão, em Crato, no ano de 1937.
Aliás, esses migrantes habitaram uma faixa da cidade que foi denominada rua ou bairro do Caldeirão, ainda hoje muito habitada. O radialista e empresário Antônio Araújo, certa feita, entrevistou uma das moradoras do bairro Caldeirão, em Cedro, de nome Adália, que lhe afirmara ter sido criada por Padre Cícero e residido no Caldeirão de Santa Cruz do Deserto, encravado em terras do Cariri cearense (em Crato), tendo de lá partido após o massacre havido em 1937, juntamente do seu filho de nome Chico de Adália.
Para melhor explicitar a História do Caldeirão, socorro-me do escritor e poeta Cedrense Geraldo Amâncio, que “(…) resgata um dos episódios mais desumanos da história do Nordeste, que foi a destruição da comunidade de Caldeirão pelas forças reacionárias da nossa elite política e do nosso aparato militar (…)” consoante prefácio de Dimas Macêdo a uma das obras-primas poéticas de Geraldo Amâncio.
Em sua história em verso, o poeta narra o progresso do Caldeirão, ressaltando que, com a morte do Padre Cicero, ocorrida em 1934, o terreno do Caldeirão passou a pertencer à Ordem Salesiana, por doação em testamento. Os novos donos, os padres da congregação, passaram a perseguir os moradores, querendo, a todo custo, a destruição daquela comunidade, sob a alegação de serem socialistas e ateus. Com o apoio do então arcebispo de Crato, Dom Francisco de Assis Pires, do Interventor do Ceará, Menezes Pimentel, e sob o comando de Cordeiro Neto, houve a primeira investida contra a comunidade, ocasião em que se operaram expedientes de tortura, humilhação e até a expulsão de muitos moradores. A segunda ofensiva contou com o apoio dos fuzileiros navais e aviões para bombardear e matar os habitantes do Caldeirão. Foi assim que se deu o sinistro massacre, decretando o fim da comunidade.
Registre-se que após o primeiro ataque, comandado por Cordeiro Neto, muitos moradores, como se disse, foram expulsos do Caldeirão, com alguns encontrando abrigo justamente da cidade Cedro, quando construíram as primeiras casas da rua do Caldeirão.
Fato é que, desde sua fundação, Cedro mostrou-se ser terra hospitaleira, garantindo acolhida tanto aos que fugiam da tragédia quanto aos que buscavam por riqueza. Esta bela vocação é um das marcas mais notáveis do povo cedrense, que teima em receber de braços abertos todos aqueles que aportam à cidade para colaborar na construção da sua história.

JOSÉ G. MONTEIRO
ADVOGADO

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