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Opinião

Ascensão à chefia da Assembleia Legislativa

terça-feira, 19 de maio 2020

Como legenda majoritária, ao instalar-se a Legislatura, o antigo Partido Social Democrático-PSD, elegeu-me líder em 1959, depois de haver exercido, na Câmara Municipal de Fortaleza, igual posição, numa bancada integrada pelos colegas Dorian Sampaio, Valter Cavalcante Sá, João Cavalcante, José Diogo da Silveira e Bezerra de Oliveira, atuando em postura oposicionista, na gestão do prefeito Acrísio Moreira da Rocha, que se elegera pela sigla do PR, com o embasamento das camadas populares, comprovando prestígio, num inusitado desfile de carroças, dando-lhe conotação de vínculo com o eleitorado dos subúrbios, já evidenciado na manifestação soberana das urnas, no pleito de 1954, quando principiei a trajetória legislativa, que terminou por me conduzir ao Legislativo brasileiro, como Senador e Deputado Federal. Ao alçar-me a dirigente máximo do Senado e do Congresso Nacional, tive a oportunidade de ascender, interinamente, à Presidência da República, então confiada a Itamar Franco, após o processo de impeachment do presidente Fernando Collor de Mello. Dessa forma, escalonei por todos os degraus da hierarquia parlamentar, como Vereador, Deputado Estadual, Senador da República e Deputado Federal, agregando, numericamente, mais de meio século de mandatos populares, fundamentado na firme disposição de servir ao povo, liderando campanhas memoráveis, que me deram visibilidade e apoio do generoso povo cearense. Num trajeto assinalado por tantas vitórias, vale destacar, que, porém, em várias etapas vi-me compelido a enfrentar momentos angustiantes, que ora específico, para conhecimento dos leitores deste artigo, que deve servir também como breve relato de uma jornada febricitante, considerada como sucessivos desafios cívicos, cumpridos com as vistas sempre voltadas para a consolidação democrática do Brasil. Não há dúvida de que, como Presidente do Poder Legislativo cearense, enfrentei instantes delicados, como a eclosão do Movimento Militar de 31 de Março de 1964, quando o item CASSAÇÕES DE MANDATOS foi o mais complexo, exigindo da Mesa Diretora uma postura digna, defendendo prerrogativas dos detentores de mandatos, alcançados por punições emanadas de Brasília, com investigações que tentavam implicar colegas com serviços prestados à nossa gente, na apreciação a cargo do Serviço Nacional do Informações. No Congresso, o impacto maior que vivenciei foi o já mencionado impeachment de Fernando Collor, num rumoroso episódio de ressonância além fronteira. Hoje, após cumprir extensa vilegiatura, direi aos meus coestaduanos, neste breve e espontânea depoimento, que me esforcei para servir a Fortaleza e ao Ceará, dos quais recebi consagradoras retribuições, a exemplo das Medalhas Iracema (PMF) e a da Abolição, esta última, em novembro passado.

MAURO BENEVIDES
JORNALISTA E
SENADOR-CONSTITUINTE

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