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Opinião

Economia recupera-se, vidas não…

terça-feira, 24 de março 2020

Nas palavras exatas do Governador Camilo Santana (CE): “A economia a gente busca depois recuperar. Vidas a gente tem que salvar”, afirmou em uma Live no Facebook na noite do sábado (21).


Demonstrando responsabilidade à altura do seu cargo e do momento, o Governador petista alvejou exatamente o ponto e está disposto a fazer o que for necessário, logística e economicamente, para combater e amenizar os efeitos dessa pandemia — o coronavírus(COVID-19).


Segundo o Governador Camilo Santana, que reuniu-se com a Secretaria da Fazenda, Seplag, Secretaria da Saúde e Casa Civil, como medidas urgentes para essa crise, eles estão se movimentando para possibilitar e adquirir os insumos necessários para o sistema público de saúde funcionar, materiais de diagnóstico e suplementos hospitalares para o tratamento, além da ampliação de leitos de retaguarda e de UTI , comprando em empresas cearenses e de outros países — porque a demanda está muito maior que a oferta desses insumos, logo a necessidade de diversificar os ofertantes par a compra. Valendo lembrar, sobretudo, a assertiva de ser o primeiro estado no Nordeste a criar o seu plano ao enfrentamento do Coronavírus. Esse é um panorama básico de como está sendo tratado no Ceará.


Alguns dos economistas mais importantes no cenário brasileiro e mundial, têm apresentado argumentos que se compatibilizam com a frase destacada dessa matéria e apontando a solução de que é necessário gastar o que for preciso, flexionando teto de gasto, sem fiscalismo rigoroso e coordenação política inteligente para salvar o máximo de vidas ou, melhor, evitar mortes de milhares de pessoas, que é a projeção caso não sejamos rigorosos no combate.


O economista e Professor na New York University Shanghai, Rodrigo Zeidan, defendeu que o momento é de “economia de guerra” e que nesse caso “austeridade é genocídio”. Para Zeidan, nesse momento não há espaço pra politicagem, é a competência do governo que vai definir se é catástrofe ou sobrevivência.


A economista Monica de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute for International Economics e professora da SAIS/Johns Hopkins University, aponta que para atenuar o efeito dessa crise, é preciso adotar políticas extraordinárias, porque em “tempos de calamidade inédita e risco de depressão, metas fiscais e a evolução da dívida tornam-se absolutamente irrelevantes” e conclui, “a inação mata!”.


Para o pesquisador e professor da Princeton University, Marcelo Medeiros, algumas soluções para achatar a curva de infectados por essa pandemia, passam por medidas como: aumentar imediatamente o valor do Bolsa Família, passar a transferir a renda também para famílias que não recebem o benefício, mas já estão no Cadastro Único do governo, e até abrir mão temporariamente de contribuições previdenciárias feitas por empregados e empregadores, retirar tributos de alimentos ou subsidiar parte da conta de luz, ocasionando, dessa forma, um aumento da dívida pública.


Outro defensor dessas medidas é o economista e professor titular do Insper, Naérsio Menezes: “A prioridade agora é cuidar da saúde das pessoas e criar um benefício emergencial para as famílias que ficarão mais pobres devido à crise. Não é hora de minimizar a magnitude e os efeitos da crise que se aproxima, é hora de agir para evitar uma tragédia social.”


Apesar de ser um economista mais ortodoxo, o professor de Harvard University, Gregory Mankiw profere em tom de urgência: “há momentos para preocupar-nos com o crescimento da dívida do governo. Este não é um deles”, e que “mitigar a crise de saúde é a primeira prioridade.”, e dá seu recado para os formuladores de políticas fiscais: “”
Em suma, sem as medidas urgentes propostas pelos economistas e sem a coordenação competente dos governos, assegurando a quarentena, será um caos social e econômico sem precedentes na história desse país. E mais do que nunca, vidas estão nas mãos dos políticos e gestores de hoje.


Dessa forma, lembrem-se: economia recupera-se, vidas não…

Bruno Gomes
Graduando em Economia na UFC, monitor de Ciências Sociais Aplicada, bolsista do PROGEPA — extensão em Economia e Meio Ambiente, interessado em Política Pública.


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