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Democracia: fala de Carlos Bolsonaro é repreendida

quarta-feira, 11 de setembro 2019

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Repercutiu negativamente, ao longo do dia de ontem (10), as declarações de Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), vereador do Rio de Janeiro e filho do presidente da República Jair Bolsonaro (PSL), feitas na noite anterior, no Twitter. A fala foi repreendida publicamente tanto por aliados quanto por opositores.

O filho do presidente havia publicado, em postagem alvo de críticas de políticos e instituições: “Por vias democráticas a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade que almejamos… e se isso acontecer. Só vejo todo dia a roda girando em torno do próprio eixo e os que sempre nos dominaram continuam nos dominando de jeitos diferentes!”

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que não cabe num país democrático a declaração do vereador. “Eu preferia nem comentar esse assunto, porque é uma declaração que não cabe num país democrático”, disse Maia a jornalistas, ao chegar à Câmara. “Mas a gente viu o que aconteceu com a Venezuela, são mais de mil venezuelanos todos os dias passando a fronteira para o Brasil, pessoas passando fome, necessidade. É isso que deu a pressa da Venezuela sem um sistema democrático”, afirmou.

“Frases como essa devem colaborar muito com a insegurança de empresários brasileiros e estrangeiros”, continuou o presidente da Casa. “A gente tem que tomar cuidado com as nossas narrativas porque muitas vezes são além de frases mal colocadas, causam danos ao povo mais carente brasileiro.” Ele destaca, ainda, que é preciso que figuras públicas prestem mais atenção às falas. “A conta das nossas frases quem paga é o povo mais pobre”, disse.

Já Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente do Senado Federal, disse que a declaração merece desprezo porque a democracia está fortalecida. “O Senado Federal, o Parlamento brasileiro, a democracia estão fortalecidos. As instituições todas estão pujantes, trabalhamos a favor do Brasil. Então, uma manifestação ou outra em relação a este enfraquecimento tem, da minha parte, o meu desprezo”, reagiu.

“Confio na democracia, acredito nas instituições e, por isso, cumpro meu papel tentando dar estabilidade a um país de 200 milhões de brasileiros que aguardam nossas respostas para emprego, para mais saúde e mais educação”, completou o senador.
Repercutiu a fala, também, o vice-presidente Hamilton Mourão (PRB), que defendeu o regime democrático. O general da reserva salientou que, se não fosse o regime democrático, o presidente Jair Bolsonaro não teria chegado ao comando do Poder Executivo e afirmou que o atual sistema político representa um dos “pilares da civilização ocidental”. “[A democracia é] fundamental, são pilares da civilização ocidental. Vou repetir para você: pacto de gerações, democracia, capitalismo e sociedade civil forte. Sem isso, a civilização ocidental não existe.” O vice-presidente pontuou, ainda, que é “lógico [que dá para fazer mudanças], senão a gente não tinha sido eleito”.

Oposição
Entre os opositores do governo federal, o ex-governador do Ceará e ex-ministro Ciro Gomes (PDT) cobrou uma declaração pública do presidente Jair Bolsonaro em relação à frase de seu filho. “Esse rapaz é um percevejo desses que infestam a vida política brasileira e não mereceria qualquer tipo de reflexão. O problema é que ele é um filhote do Bolsonaro, e ele só pode merecer alguma reflexão na proporção em que isso representar um pensar do Bolsonaro.”

“É preciso que todos nós cobremos do Bolsonaro uma declaração explícita, clara, se esse menino está falando mais uma bobagem, mal-amado que é, percevejo da vida brasileira”, completou Ciro.
Já o governador paulista, João Dória (PSDB), por sua vez, disse pensar o oposto de Carlos. O tucano, que já manifestou apoio a Bolsonaro, ainda nas eleições, tem trocado críticas e provocações com o atual presidente, antecipando embate a ser travado em 2022, quando Dória deverá se candidatar à presidência da República.

“Sem entrar na polêmica, eu penso o oposto. Só com a democracia é que nós podemos ter um país soberano, livre e capaz de produzir políticas sociais e políticas econômicas. É só com a democracia, não há nenhum outro caminho possível para o país. E eu estarei ao lado dos democratas”, afirmou o governador.

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