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Política

Em reunião, Doria e Bolsonaro entram em embate sobre medidas na saúde

quarta-feira, 25 de março 2020

No primeiro embate direto desde a chegada ao Brasil da pandemia do coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o governador João Doria (PSDB-SP) trocaram acusações duras sobre a condução da crise sanitária. Bolsonaro disse que o tucano não tem autoridade para criticá-lo após ter sido eleito em 2018 com sua ajuda e, depois, ter lhe virado as costas. Já João Doria cobrou “serenidade, calma e equilíbrio”, e ameaçou ir à Justiça se o governo federal confiscar respiradores mecânicos para doentes graves com Covid-19.


O duelo ocorreu durante a tensa videoconferência na qual Doria e os outros governadores do Sudeste, Wilson Witzel (PSC-RJ), Romeu Zema (Novo-MG) e Renato Casagrande (PSB-ES) discutiram a emergência nacional da disseminação do vírus causador da doença.


“Subiu à sua cabeça a possibilidade de ser presidente do Brasil. Não tem responsabilidade. Não tem altura para criticar o governo federal”, disse o presidente ao governador de São Paulo. “Se você não atrapalhar, o Brasil vai decolar e conseguir sair da crise. Saia do palanque”, afirmou Bolsonaro. A altercação ocorreu depois de uma consideração final de Doria ao fim do encontro. “Peço que o senhor tenha serenidade, calma e equilíbrio. Mais do que nunca, o senhor precisa comandar o País”.


A intervenção de Doria, na ocasião, foi calculadamente pausada, sem alteração no tom de voz, dentro da tática de diferenciação entre ele e o presidente na condução da crise do coronavírus. Já Bolsonaro respondeu aos berros. “Não aceito em hipótese nenhuma essas palavras levianas, como se vossa excelência fosse o responsável por tudo o que acontece de bom no Brasil”, disse o presidente, ladeado pelos ministros Luiz Henrique Mandetta (Saúde) e Paulo Guedes (Economia). “[Doria] acusa, levianamente, esse presidente que trabalha 24 horas por dia. Não aceitamos essa demagogia barata. Vossa excelência não é exemplo para ninguém. Senhor governador João Doria, faça sua parte”, finalizou, questionando se o tucano tinha permissão de agir como “porta-voz dos governadores”.


No final da manhã do mesmo dia, Doria postou no Twitter sua versão dos fatos. O governador paulista disse que apresentou suas propostas na exposição inicial: “Recebi como resposta um ataque descontrolado do presidente. Ao invés de discutir medidas para salvar vidas, preferiu falar sobre política e eleições. Lamentável e preocupante”, escreveu, na rede social. Ainda no ambiente da internet, o filho do presidente, Carlos Bolsonaro, vereador no Rio e gestor da estratégia digital do pai, disse que Doria “se coloca de vítima diante do óbvio”. Voltou, ainda, a chamar o tucano de “isentão” e “Macron brasileiro”, em referência ao presidente francês, Emmanuel Macron.

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