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Fake news ganham espaço em discussões

segunda-feira, 09 de setembro 2019

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A disseminação de notícias falsas, já em evidência pelo menos desde o período eleitoral de 2018, passou a ser um dos temas centrais da discussão política no Brasil desde então. As chamadas fake news, no entanto, ganharam espaço ainda mais expressivo nos debates parlamentares durante a última semana, tanto a nível local quanto nacional.

Em Fortaleza, teve destaque a repercussão da divulgação de um vídeo de autoria da jornalista Regina Villela, em que ela diz que a administração pública da capital cearense estaria distribuindo uma cartilha nas escolas que trata sobre a sexualidade na primeira infância. A disseminação do conteúdo, que se deu no fim de semana, acabou sendo motivo de diversos pronunciamentos nas casas legislativas em Fortaleza.

O deputado estadual Delegado Cavalcante (PSL) disse, na tribuna da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (AL-CE), que o material distribuído tem, entre os principais pontos, ‘ideologia de gênero’, ‘autoerotismo’, Freud, sexualidade das crianças e críticas à ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves. “É um material indigno de ser implantado em qualquer escola, pois estimula a exploração da criança”, salientou.

Hietor Férrer (SD), também na Assembleia, criticou a disseminação de informações falsas na internet, citando o mesmo caso. “É lamentável que as pessoas ainda alimentem notícias fake na internet. É uma maldade feita apenas para denegrir determinada pessoa”, comentou.
Na Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor), o vereador Evaldo Lima (PCdoB) assinalou que o vídeo divulgado na internet “faz parte de uma mesma fábrica de mentiras que num período anterior produziu o falacioso ‘kit gay’ ou uma mamadeira que tinha um formato fálico”.
A Secretaria Municipal de Educação (SME) já havia desmentido o material, identificando as imagens apresentadas pela jornalista como “montagem grosseira”. A administração pública abriu, ainda, uma queixa-crime na Polícia Civil.

Na sexta-feira (6), após a repercussão do caso, a deputada Dra. Silvana (PR) destacou projeto de sua autoria, em tramitação na AL, que procura combater a erotização infantil em ambiente escolar. “Trago esse projeto, pois o que vemos nas redes sociais é uma realidade terrível, com crianças dançando funk até o chão nas escolas, cantando as letras que falam de sexo abertamente, e isso me levou a solicitar essa medida preventiva”, explicou.

Vacina
O tema, no entanto, não abarcou somente o assunto da suposta cartilha. O deputado estadual Tony Brito (Pros) chegou a criticar, em sessão plenária da última quarta-feira (4), as fake news veiculadas sobre a vacina contra o sarampo.
De acordo com o parlamentar, circulam nas redes sociais postagens, afirmando que a vacina contra o sarampo causaria autismo nas crianças. “Temos duas crianças internadas na UPA do Conjunto Ceará, com suspeita de sarampo, inclusive uma ala da unidade está totalmente isolada. Não tínhamos nenhum caso notificado desde 2015. Agora, nos deparamos com esses casos. É lamentável que pessoas usem de má fé para propagar falsas notícias e crianças paguem por isso.”

Na mesma ocasião, o deputado Fernando Hugo (PP) lembrou que, décadas atrás, muitas crianças perdiam a vida por viroses como o sarampo, mas que, ainda nas décadas de 1980 e 1990, o Ceará passou por uma sistemática de vacinação. “Nos assusta os casos de sarampo voltarem e o pior, pessoas espalhando mentiras desta forma.”

CPMI
No Senado Federal, o tema teve atenção especial, tendo sido criada uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) voltada para a disseminação de notícias falsas. O requerimento para a criação da Comissão foi feito pelo deputado Alexandre Leite (DEM-SP) e recebeu o apoio de 276 deputados e 48 senadores.

Composta por 15 senadores e 15 deputados, a CPI mista terá 180 dias para investigar a criação de perfis falsos e ataques cibernéticos nas diversas redes sociais, com possível influência no processo eleitoral e debate público.

Segundo o senador Ângelo Coronel (PSD-BA), eleito presidente da Comissão, é necessário descobrir quais são os focos da produção em larga escala de notícias falsas para combatê-las. “Nós vemos a cada dia famílias sendo atingidas por notícias falsas e precisamos dar um basta nisso e descobrir quais são os focos desta indústria de fake news que abala a democracia brasileira. Esta é uma comissão suprapartidária e espero contar com todos os pares para que a gente possa dar essa resposta a nossa sociedade”, afirmou. (Com informações da Agência Senado)

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