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Política

Força-tarefa da Lava Jato denuncia Lula e irmão

terça-feira, 10 de setembro 2019

A força-tarefa da Lava Jato em São Paulo denunciou, ontem (9), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e um de seus irmãos, José Ferreira da Silva, sob a acusação de corrupção passiva continuada. A denúncia afirma que o irmão, conhecido como Frei Chico, recebeu mesada da Odebrecht de 2003 a 2015 dentro de um pacote de vantagens indevidas oferecidas ao petista. Segundo a acusação, o valor total chega a R$ 1,1 milhão, divididos em repasses de R$ 3.000 a R$ 5.000 ao longo do período.

Também são denunciados Alexandrino Alencar, delator e ex-executivo considerado elo da Odebrecht com Lula; Emílio Odebrecht, patriarca do grupo; e Marcelo Odebrecht, ex-presidente do conglomerado empresarial.
A denúncia afirma que valores foram entregues em espécie para Frei Chico em encontros marcados em São Paulo. O relacionamento começou, dizem os procuradores, quando o irmão de Lula foi procurado pelo grupo, durante os anos 1990, como interlocutor com movimentos sindicais.

Segundo os procuradores, à época uma das empresas da Odebrecht pagava a ele por consultoria sindical, em serviço efetivamente prestado. Em 2002, ano em que o Lula foi eleito presidente da República, o contrato foi rescindido. Mais adiante, segundo a denúncia, com a posse, começaram os pagamentos periódicos, sem que qualquer trabalho fosse prestado. A equipe da Lava Jato diz que os repasses só foram interrompidos com a prisão de Alexandrino Alencar, em 2015.
A denúncia, além de depoimentos dos delatores, cita informações do sistema Drousys, usado para organizar pagamentos de propina, no qual o codinome atribuído ao acusado é “Metralha”.
Lula é incluído na denúncia porque, segundo a acusação, a Odebrecht optou pelos repasses para obter benefícios junto ao governo federal da época. Como contrapartida, é mencionada a articulação da empresa para evitar o retorno da Petrobras ao setor petroquímico, onde a Odebrecht atua por meio da Braskem.

Também foi incluído na denúncia um e-mail de 2010 em que Alexandrino Alencar fala em “manter o programa do irmão do chefe”.
Frei Chico é considerado o responsável por introduzir Lula no movimento sindical no ABC paulista, no anos 1970.

Defesa
Após a divulgação da denúncia, a defesa de Lula afirmou que os procuradores ‘da franquia Lava Jato’ repetem as mesmas acusações já feitas em ações contra o ex-presidente envolvendo a Odebrecht, como a que trata da compra de um terreno para o Instituto Lula e o processo no Distrito Federal sobre supostos benefícios a um sobrinho da primeira mulher do petista.

“Lula jamais ofereceu ao Grupo Odebrecht qualquer ‘pacote de vantagens indevidas’, tanto é que a denúncia não descreve e muito menos comprova qualquer ato ilegal praticado pelo ex-presidente”, diz a nota divulgada, que é assinada pelo advogado Cristiano Zanin Martins.
O advogado também lembra, no mesmo texto, que a acusação vem a público um dia depois da publicação de uma reportagem da Folha de S.Paulo que mostrou que áudios mantidos sob sigilo na Lava Jato enfraquecem a tese do ex-juiz Sergio Moro sobre a ida de Lula para a Casa Civil no governo Dilma Rousseff, em 2016. Para Zanin, a reportagem mostrou a “ocultação de provas” pela acusação, “voltada a romper a democracia no país”.

Caberá à Justiça Federal em São Paulo, agora, decidir se os cinco acusados viram réus no caso.
Lula está preso desde abril em 2018 em Curitiba, cumprindo pena por condenação por corrupção e lavagem no caso do tríplex de Guarujá (SP).

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