32 C°

quarta-feira, 28 de outubro de 2020.
Fortaleza, Ceará, Brasil.

aniversario
aniversario

Política

Samuel Braga: meio ambiente não é esquerda nem direita

segunda-feira, 21 de setembro 2020

O ex-­vereador Samuel ­Braga (Patriota), que é postulante ao Paço Municipal na capital cearense, falou com O Estado sobre a candidatura, o estado atual do meio ambiente na cidade e as propostas que traz à disputa para tentar conquistar a confiança da população. Ele, que foi o primeiro parlamentar a pautar questões ambientais em Fortaleza, há mais de 30 anos, comenta que desde a eleição de Bolsonaro há a impressão errada de que a defesa do meio ambiente é pauta de esquerda. “Depende só da boa vontade do gestor”, diz ele. Confira:


O Estado. Você chega nessa campanha defendendo uma Fortaleza “ecologicamente sustentável”. Como avalia que está a cidade hoje nesse quesito?
Samuel Braga. Hoje o aspecto da nossa cidade é de uma cidade abandonada, uma cidade suja, com muitos pontos de lixo em vários bairros, até nos nobres. A poluição toma conta da cidade sob todos os aspectos: poluição hídrica, dos nossos rios e lagoas, muito séria, todos estão inteiramente poluídos e o destino final é o mar, tornando a balneabilidade das nossas praias comprometida. A poluição visual também é uma coisa absurda, todo canto se constata agressão visual, com muitas placas, cartazes. E a poluição ambiental, essa do lixo. É uma cidade maltratada mesmo, sempre muito material de construção acumulado. E temos ainda poluição sonora, que agride as pessoas, seu bem-estar, com poluição de som de máquina e equipamento, e não existe um controle sobre isso, deixa muito a desejar. Agora, o que se propõe para melhorar? Com relação à questão da poluição dos resíduos, nós pretendemos alcançar 100% da coleta seletiva da cidade em quatro anos, junto com um programa de reciclagem e educação ambiental para conscientizar a população.
OE. Muitos críticos à atual gestão dizem que é uma Prefeitura que não gosta de árvores. Você enxerga isso também?
SB. Existe essa crítica. Fortaleza uns quatro anos atrás só tinha quatro metros quadrados de área verde por habitante, precisa que se faça um estudo para saber se realmente aumentou, porque não adianta vir alguém da Prefeitura e dizer “Nós dobramos, hoje tem oito metros por habitante”. O que nos garante que é verdadeiro? Tem que ter um estudo por técnicos da universidade para saber se realmente Fortaleza tem avançado na questão da arborização. Nossa proposta é arborizar a cidade com árvores nativas e recompor a mata ciliar dos nossos rios e riachos, por exemplo o riacho Pajeú. Estão extremamente poluídos hoje todos os riachos, não existe fiscalização, então fica muito da vontade das pessoas, que por falta de informação e conscientização poluem o riacho. Sobre nosso projeto de arborização, não vou dizer quantas árvores vamos plantar, mas garanto que vai superar toda a plantação que houve nos últimos 10 anos em Fortaleza.
OE. O Patriota é um partido que defende o “conservadorismo cristão” e outras pautas associadas à direita, enquanto você tem como principal marca a defesa do meio ambiente, que é hoje comumente associada à esquerda. Acha que isso pode gerar alguma confusão?
SB. O Patriota é um partido de centro, isso está bem claro no estatuto, o fato de defender essa pauta ou aquela não quer dizer que seja de direita. Defende princípios cristãos, é a favor da vida. Não acho que pauta de meio ambiente seja ligada à esquerda, depende de cada gestor. Pode estar no poder um partido de centro, partido de esquerda ou de direita, depende só da boa vontade do gestor, da vontade política, independente de questões ideológicas. Isso é coisa do passado, isso de que só defende o meio ambiente quem é ambientalista, quem é de esquerda. Não sei da cabeça de quem tiraram isso de que só defende meio ambiente se for de esquerda.
OE. Você acha que esse entendimento que as pessoas têm é recente?
SB. Acho que essa impressão foi depois de 2018, quando o Bolsonaro ganhou a eleição e o País ficou dividido. Não quer dizer que todas as pessoas que votaram nele são de direita, absolutamente. Muitos direitistas votaram de acordo com ideias, por ele ser direitista, mas muitos outros votaram porque queriam uma mudança, queriam tirar do poder aqueles que fizeram mau uso do dinheiro público. O Brasil teria 58 milhões de pessoas de direita? Não. Tem pessoas que não são direita nem esquerda, votaram porque queriam uma mudança.
OE. Você atuou na Câmara Municipal nos anos 1980. O que mudou de lá para cá na vida pública da cidade que mais chamou sua atenção?
SB. Quando eu assumi como vereador, fui o primeiro a defender a bandeira do meio ambiente no Estado. Nessa época nem existia Partido Verde no Brasil. De lá para cá, acho que essa questão do meio ambiente no Parlamento ficou em segundo plano, deixou de ser uma prioridade. E não tendo no próprio Parlamento essa bandeira das questões ambientais como pauta importante, consequentemente o gestor também fica muito à vontade para governar da maneira que bem lhe convier. Acho que poderiam ter avançado mais na questão ambiental, mas infelizmente não se vê essa questão no dia a dia.
OE. Nessa época você foi responsável pela CPI das Praças, que apurou o desaparecimento de praças na cidade. Como avalia que está isso hoje em dia?
SB. A CPI que eu fiz apurou que Fortaleza perdeu nos últimos 40 anos [até 1990] 180 praças, incluindo praças e áreas verdes. Para ter ideia, na Praia do futuro quase todas as áreas verdes que seriam praças foram doadas para entidades de classe, e essa doação se dá por iniciativa do Poder Executivo, de enviar para a Câmara um projeto para doação a determinada entidade. A CPI, além de ter contabilizado isso, o relatório exigiu da Procuradoria Geral do Município ações de reintegração de posse. Na época foram 28 ações. Acredito que depois desse trabalho o poder público ficou inibido de estar doando com facilidade áreas verdes, acho que melhorou nesse aspecto.
OE. O Patriota recebeu convites para fechar alianças em Fortaleza? Como foi?
SB. Recebemos convite para conversar, mas nada de fechar aliança. Até porque já tinha mesmo sido decidido pelos próprios filiados e pré-candidatos que o desejo da maioria era que o partido tivesse chapa própria, independente. Fomos procurados pelo PSL [do pré-candidato Heitor Freire], foi um conversa rápida, com nenhum compromisso de aliança, foi mais para ouvi-los.
OE. Quais são os números do partido em Fortaleza e no interior nessa eleição?
SB. Tem Patriota em 80 municípios, com uma média aí de oito candidatos por município, dando uns 600 a 700 candidatos. Em Fortaleza temos 60 pré-candidatos [a vereador]. A prefeito temos em seis municípios, incluindo Jati, Mucambo, Campos Sales, Itarema… Tínhamos oito, ficaram só seis porque dois viraram candidato a vice.
OE. Avalia apoiar alguém em um eventual segundo turno?
SB. Ainda não trabalhamos com essa possibilidade, porque apostamos que o Patriota, pelas suas propostas que serão mostradas para a população e pelo seu plano de governo, que está sendo elaborado, nós estamos vamos ganhar apoio da população. Pretendemos principalmente conquistar o sentimento de mudança que o Patriota representa no momento e ir para o segundo turno. Se não der, aí o segundo turno é outra eleição. Aí é que vamos sentar, pensar e decidir o que é o melhor.

hoje

Mais lidas

WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com