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Política

Wagner quer criar sistema de videomonitoramento

terça-feira, 09 de agosto 2016

 

Candidato à Prefeitura de Fortaleza, o deputado estadual Capitão Wagner (PR) abre uma série de entrevistas realizadas pelo jornal O Estado com os postulantes desta eleição. Na ocasião, o republicano avaliou os apoios recebidos, como os dos senadores Eunício Oliveira (PMDB) e Tasso Jereissati (PSDB). Ele apontou ainda os principais problemas enfrentados pela população fortalezense e disse como irá solucionar as demandas, caso seja eleito.

Em relação ao papel do vice, Wagner defendeu uma participação efetiva de Gaudêncio Lucena na sua eventual gestão. Ele também explicou sobre os custos e participação da Guarda Municipal no auxílio à segurança pública. E afirmou porque deseja ser prefeito de Fortaleza. Dentre as propostas apresentadas, Wagner falou da criação de uma sistema de videomonitoramento para auxiliar, além da segurança pública, outros serviços como o trânsito da Capital.

 

[O ESTADO] Qual a avaliação que faz da articulação que garantiu o palanque apresentado no último domingo?
[CAPITÃO WAGNER] A articulação, na verdade, iniciou na campanha de 2014. Tivemos uma aproximação grande com esse grupo, o PR logicamente. Tive por ser integrante do partido. Mas, a campanha do senador Tasso e do Eunício ao Governo do Estado nos deram proximidade por ter trabalhado dando o sangue, para que as candidaturas fossem vitoriosas. No primeiro turno, senador Tasso ganhou e, no segundo, nós ganhamos em Fortaleza. Acredito que o trabalho desempenhado, sobretudo no segundo turno, nos credenciou a ter apoio do PMDB. Para a gente foi natural. De 2014 para cá, estivemos conversando com Solidariedade, PMDB e PSDB, e acho que foi só questão de tempo para acontecer a aliança. Embora não seja tradição no Estado, nós permanecemos com o mesmo grupo e, isso, é positivo para esta aliança.

[OE] Qual vai ser a participação dos senadores Tasso e Eunício na campanha? Será restrita a TV e ao material impresso?
[CW] Ideal é que os dois possam participar, conforme eles já expressaram, intensamente na medida do possível, até porque eles estarão em Brasília. A participação deles é importante para dar credibilidade e mostrar a população que qualquer prefeito precisará buscar recursos em Brasília. São três senadores, dois estão do nosso lado. Temos dois terços do apoio para buscar recursos para saúde, educação, turismo, dentre outros. É importante não só ter os dois, agora, na campanha, mas, principalmente, durante o mandato como eles declararam. Acho que a participação será tanto de rua como de televisão. Ou seja, não haverá restrição.

[OE] Qual a estratégia para arrecadar dinheiro para a campanha?
[CW] Acho que de todos os candidatos, o que terá menos problema com dificuldade financeira, será eu. Tive três campanhas e nenhuma teve apoio financeiro de empresa. Lógico que era uma campanha proporcional, não se compara com uma majoritária. Mas, não teremos dificuldade. Temos uma militância voluntaria. Praticamente, não pagaremos, até porque é difícil arrecadar dinheiro para este fim. Vamos dar prioridade ao programa de rádio e televisão, além do material de campanha, como adesivo, papel e santinho. O resto é gastar sola de sapato. Não teremos uma campanha cara. Lógico que teremos que ir atrás de recurso. E uma que já temos garantida é o fundo partidário dos quatro partidos. Acredito que alguns apoios de pessoas físicas irão surgir. Temos ainda intenção de realizar eventos para arrecadar recursos. Acredito que, até os próprios empresários, diante das prisões, estarão receosos de fazer qualquer coisa por debaixo dos panos. A legislação não irá impedir as pessoas de usar o caixa dois. Claro que tenho todo receio. Então, intensão é utilizar o que é permitido por lei.

[OE] Por que o senhor quer ser prefeito de Fortaleza?
[CW] Quero ser prefeito porque vivi na rua, lá na periferia, no João XXIII. Sofri com a falta de políticas públicas. Nossa intenção é ver as ideias como parlamentar e acabar não executando. Acho que o parlamentar tem um papel extremamente importante na proposição e fiscalização. Mas, todo político se frustra na hora de ter ideia, até aprovada é, mas não vê execução. Então, o grande sonho é ver executadas as ideias que já teve. Fico muito feliz que as ideias que mais repercutiram durante os dois mandatos de legislador, partiram do povo. Execução esta a baixo do que espera a população.

[OE] Qual é o principal problema de Fortaleza e como o senhor pretende resolvê-lo?
[CW] As pesquisas apontam que Fortaleza, hoje, possui três grandes problemas: segurança, saúde e emprego. Lógico que educação é a base para resolver os demais problemas. Mas, na área da segurança, precisamos deixar claro que alguns político não tem tido a competência de fazer sua parte e jogou toda a problemática para o Estado. E a própria legislação disso. O Estado tem sua responsabilidade. Não existe uma solução única para a violência. As pessoas dizem: o problema da violência só resolve se aumentarmos o rigor das leis federais.

Mas, não é só isso que resolve o problema. O problema se resolve se acabarmos com as drogas. Os Estados Unidos são os maiores consumidores, mas não tem o numero de violência registrado no país. Claro que lá tem. Se pegarmos o Brasil e compararmos, veremos que são Paulo é o maior consumidor de droga, mas a violência não se compara a Fortaleza. Então, tem alguns discursos que precisam ser descaracterizados. A Prefeitura tem sua responsabilidade, precisa não só melhorar a iluminação pública, mas ocupação dos espaços públicos. A Guarda Municipal é vital para segurança dos espaços públicos.

[OE] O senhor defendeu armar a Guarda Municipal desde que estivesse o devido treinamento. Mas, na prática, como a guarda pode auxiliar no combate a violência, uma vez que os bandidos não temem nem o poder do Estado?
[CW] O que a lei determina é que estes guardas sejam treinados na academia de policia. ou você faz um convenio com a Polícia Federal, ou Polícia Rodoviária Federal, ou a própria academia estadual. Não tem como termos qualidade na prestação de serviço sem treinamento. O próprio Estado alega que não entrega arma ao Ronda do interior, porque não tem treinamento. Então, é triste para o Estado. Se pegarmos as experiências efetivas, temos o Raio. Porque o policial no Raio é tão bom e firme, porque quando ele chega lá, recebe treinamento adequado.

Lógico que tudo traz um custo. Hoje, a prefeitura possui cerca de dois mil Guarda Municipal. Claro que não será da noite para o dia que treinaremos todos. Vamos fazer de forma planejada. Queremos que, ao longo dos quatro anos, termos todos os guardas treinados e armados. Por exemplo: uma pistola, por meio de licitação, pode custar à Prefeitura 3 a 4 mil reais. O custo é esse multiplicar o número de efetivo, lembrando que não será um custo imediato, pois a medida que o profissional será treinado, ele receberá este armamento e oferecerá esta função.

[OE] E quanto esta proposta irá custar aos cofres da prefeitura? Pretende fazer convênio com o Estado?
[CW] Alguns perguntam de onde vem este orçamento. Temos estudado o orçamento da prefeitura e percebemos que há uma inversão de prioridade. Por exemplo, o gabinete do prefeito nos últimos meses teve uma previsão orçamentaria de $ 117 milhões e, em 2016, ele aumentou para 137 milhões. Então podemos enxugar esse orçamento, podemos aplicar não só na compra de armamento, como na implantação do sistema de videomonitoramento. Existe um software que pode captar imagens dos sistemas já existentes. Se houver uma preocupação da prefeitura em reunir essas imagens numa central, para facilitar a fiscalização do que acontece nas ruas, teremos não só solução para o problema da violência, mas solução para diversos outros problemas como tráfego de veículos, a questão do socorro do Samu. Esta utilização da inteligência baseada na informática, irá reduzir os custos de segurança.

[OE] O que o senhor vai poder levar da sua carreira na polícia, ou mesmo do legislativo, para uma eventual gestão em Fortaleza?
[CW] Primeiramente do legislativo, você traz a relação com outros políticos. Hoje, temos uma convivência muito harmônica na Assembleia Legislativa. Logicamente discordando em alguns aspectos, ou mesmo votando contra, temos consciência da democracia e relação harmônica, assim como o executivo.

Acredito que o mesmo ocorrerá com a Câmara, caso chegue a prefeitura. Da Polícia Militar, é a preocupação que a gente tem de prestar um serviço de qualidade. Um policial ao ingressar na corporação, fazemos um juramento, que qualquer outra categoria não faz, de defender a sociedade, ate mesmo com a própria vida. É um juramento de amor pelas pessoas. ao sair de casa, mesmo sabendo que pode não voltar para sua residência. E trazer a referência disciplinar. Hoje, precisamos disciplinar muita coisa na cidade, como uso e ocupação do solo, a administração das escolas e uso e transparência dos recursos públicos, para se evitar o desvio das verbas.

[OE] Como fica sua relação com o governador Camilo Santana, que é ligado aos irmãos Ferreira Gomes e também filiado ao partido dos trabalhadores?
[CW] O que precisamos observar, ao caminhar pela cidade, é que o melhor momento foi quando o prefeito era adversário do governador – Juraci e Tasso Jereissati, respectivamente. Cada um queria mostrar que era melhor que o outro. Existia uma competição saudável. Prefeitura desempenhava um projeto social, o Governo não queria ficar atrás. Então, era uma competição salutar. Acredito que, se chegar lá, creio que não teremos dificuldade de proximidade com o Governo, até porque é uma relação institucional.

[OE] Qual vai ser a participação do vice-prefeito em uma eventual gestão sua?
[CW] O vice precisa se sentir útil, como qualquer outro trabalhador. Não se sentido assim, acaba se desmotivando. Para que ele participe, daremos funções para desenvolver políticas. A ideia é deixar sobre comando do vice-prefeito as regionais, para que ele possa coordenar os trabalhos e verificar os erros. Hoje, observamos uma inversão de valores, onde a regional II tem recursos equivalentes aos da Regional V e VI. Então, você irá tirar recursos? Não. Iremos compensar e equilibrar os recursos para execução de políticas públicas. Não sou contra a obra do Cocó, mas, se ela tivesse sido feita em frente ao Terminal do Siqueira, evitaria o caos toda manhã e tarde na Avenida Osório de Paiva. São medidas adotadas na Regional II, mas não são vistas na Regional V e VI, que estão abandonadas.

POR LAURA RAQUEL
politica@oestadoce.com.br

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