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Colunista - João Soares Neto (Escreve)

Os homens azuis e o rosa das mulheres

sexta-feira, 16 de novembro 2018

Neste mês de novembro os homens do Brasil estão sendo chamados a fazer exames urológicos. Deveriam fazer todos os tipos de exames. Diz-se que o mês precisa tornar-se azul, como rosa foi o outubro dedicado, não sei qual a razão, apenas ao câncer de mama feminino. As mulheres, tal como alguns poucos homens, podem ter câncer de mama.
Assim, o rosa deveria cobrir todos os tipos de cânceres ou cancro, – como querem os portugueses – que atingem as mulheres, não apenas as mamas, mas todo o seu corpo, especialmente os fatais, como o do colo de útero.
Agora, vamos falar dos homens azuis, esses que, por falta de informação, negligência, pobreza extrema ou nível de conhecimento, deixam que seus corpos sejam tomados pelos cancros, não só os de próstata, mas os de pulmão, de reto, intestino e garganta. Entre outros. Não bastam os prédios iluminados de rosa ou azul. O que a saúde pública, em todos os níveis, deveria fazer passa por mais que isso. Não há uma ligação endógena entre o Sistema Unificado de Saúde, o SUS, e a maioria dos seus pacientes que acorrem aos postos de saúde e hospitais. Que vinculação possui um (a) paciente pobre com médico assoberbado com horários difusos, plantões complementadores de parcos salários e o estresse que lhe aflige, compassivo que é?
Os médicos, brasileiros e os que estão chegando, não suprem a demanda dos que, por exemplo, constituem os milhões a viver das bolsas oferecidas pelo governo. Essas pessoas deveriam ser obrigadas, para receber as tais bolsas, a fazer exames periódicos e assim evitar os custos futuros de cirurgias que poderiam ser evitadas.
Enganam-se, entretanto, os que imaginam que só o “outro” pode ser acometido por doenças graves. Os antigos “males insidiosos”. As doenças são compartilhadas entre pobres e ricos, jovens e maduros, independente de pigmentação externa seja branca, parda ou negra.
Os planos de saúde necessitariam, igualmente, obrigar cada beneficiário a se submeter a exames que levassem à prevenção dos 18 tipos de cânceres identificados pelo Instituto Nacional do Câncer. A cada novo ano 500 mil pessoas são acometidas e, se não tratadas devidamente, poderão chegar a óbito. Assim, rosas e azuis, previnam-se, conversem com parentes e amigos, saiam do medo do insondável para examinar o que poderá ser cuidado, se identificado em tempo hábil. O Brasil deve mudar os discursos ufanistas que se repetem a cada dois anos com promessas para todos os problemas. Deve, pelo menos, repensar as razões dos gastos descomunais com a saúde, por gestões inadequadas, falta de atenção primária, prevenção e descaso. A morte deve ser consequência da vida e não fruto do desamparo aos pobres, dentro de velhas ambulâncias vindas do interior para as capitais. Eles sequer sabem dizer o que sentem.

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